Voz de Brecht ecoa em montagem de A Serpente, de Nelson Rodrigues
Com direção de Thiago Reis Vasconcelos, peça da Cia. Antropofágica estréia dia 27 e celebra os 30 anos do texto.
Recorrente em suas montagens desde O Vestido de Noiva, o tema de duas irmãs disputando o amor do mesmo homem se repete no último texto escrito por ele. É a primeira vez, no entanto, que essa rivalidade é explorada em toda potencialidade, tornando-se o cerne da peça, seu fio condutor. Essa obsessão de Nelson, a obsessão com o sexo, a obsessão com a morte – está tudo ali.
Em um mesmo apartamento presenteado pelo pai, duas irmãs vivem com seus maridos em quartos contíguos. Tendo celebrado seu casamento no mesmo dia em que a irmã, Lígia vê sua relação se desfazer logo na primeira cena da peça, com Décio, seu marido, indo embora de casa sem nunca ter sido capaz de consumar o casamento. Virgem após um ano de casada, abandonada pelo marido, ela entra em desespero e ameaça se jogar pela janela. É Guida, a irmã, quem evita o salto oferecendo à Lígia uma noite com seu marido, Paulo.
Se por “supremo sacrifício, generosidade, homossexualismo por procuração, desejo de provar-se superior ou apaziguamento de culpas antigas” – nas palavras do crítico Sábato Magaldi, isso não é explicitado pelo autor. O fato é que toda a ação se desencadeia após essa noite, desembocando no final trágico que justifica sua inserção entre as chamadas “tragédias cariocas” de Nelson. Sendo a última delas, porém, é natural que as dimensões míticas e psicológicas de todo o universo de sua obra também estejam refletidas ali.
A opção pela linguagem não-realista da peça partiu da proposta de concisão de Nelson e da idéia de síntese desenvolvida pelo modernista Oswald de Andrade – que é o núcleo da pesquisa desenvolvida pela Cia. Antropofágica. A quebra da ilusão que norteia o trabalho do dramaturgo alemão Bertolt Brecht é também o norte dessa montagem, que já traz essa quebra no próprio texto, na forma de monólogos que refletem o pensamento do personagem – recurso usado por Nelson unicamente nessa peça. “A quebra de ilusão tem a função de criar um distanciamento crítico”, explica o diretor Thiago Reis Vasconcelos, “e de todas as peças de Nelson essa é a que melhor cabe nessa proposta”.
Remetendo aos roteiros de cinema, riscos no chão delimitam os cômodos do apartamento – ao estilo de Dogville, filme de Lars Von Trier. Colaborando para explicitar que aquilo a se desenrolar no palco é criação, e não realidade, bonecos são usados como extensão dos atores e o próprio Nelson Rodrigues aparece em cena, ora circulando entre os personagens que sua imaginação manipula, ora sentado à escrivaninha batendo à máquina de escrever.
Entrada: R$ 20,00
Temporada de 27 de setembro a 30 de novembro
Sábados às 20h e domingos às 19h
Serviço:
A Serpente
Duração: 50 minutos
Recomendação: 14 anos
Gênero: Tragédia Carioca
Temporada de 27 de setembro a 30 de novembro
Sábados às 20h e domingos às 19h
Ingressos: R$ 20, aceita cheque
Meia entrada para idosos, estudantes e classe teatral
Capacidade: 60 lugares
Espaço Cultural Pyndorama
Endereço: Rua Turiaçu, 481
Tel. (11) 3871-0373
Não aceita reserva
Bilheteria abre duas horas antes do espetáculo
Estacionamento conveniado no local
Ficha técnica:
A SERPENTE, de Nelson Rodrigues
Direção – Thiago Reis Vasconcelos
Assistente de Direção – Renata Adrianna
Direção Musical – Thiago Reis Vasconcelos
Trilha Sonora – Vinicius Cruz
Produção – Bia Kobal e Vivi Terci
Cenografia – Thiago Reis Vasconcelos
Figurinos – Alfredo Jorge Corrêa de Sá
Iluminação – Renata Adrianna
Assessoria de Imprensa: Boca de Cena Comunicação
Elenco: Bia Kobal (Guida), Danilo Santos (Décio), Ruth Melchior (A Crioula e Nelson Rodrigues), Vinicius Cruz (O Analista e Paulo) e Vivi Terci (Lígia)
Realização – Cia. Antropofágica

Muito BOM, AMEI….vale a pena assistir…
Além do drama rola muita comédia junto….
Não percam.!