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Relatório de Atividades por Martha Guijarro – ATP

No mês de outubro/2008 demos início a nossa pesquisa pelo projeto da Cia. ATP, Liberdade em Pindorama, contemplado pelo fomento. Na verdade não demos início e sim, continuidade para um tema que vem acompanhando a Cia. ATP desde a sua primeira dentição: Liberdade em Pindorama. Liberdade no nosso Brasil, este ainda tão cheio de vestígios de um Brasil tão “acostumado” a ser colônia.

Com a chegada do fomento, o grupo que resiste e persiste em sua luta há seis anos, tem oportunidade de dar continuidade ao que sempre permeou nossa história de luta e fazer teatral.

O processo de trabalho se dá por uma confluência de encontros e contribuições.
 Temos as trocas de pesquisas com os demais grupos que ocupam o espaço Pyndorama, o núcleo de música que nos proporciona um aperfeiçoamento vocal, a contribuição do núcleo de formação, o PY, o núcleo de atores que trabalham na pesquisa artística do Brasil Colônia, temos a contribuição do Pindorama em Revista que proporciona debates, discussões de cunho político e atual e temos ainda encontros com pensadores como Paulo Arantes, Chico de Oliveira e Iná Camargo que contribuem com seu ponto de vista para o enriquecimento de nossa pesquisa.

Enfim, todo esse coletivo se mistura e juntos enriquecem a pesquisa, dão continuidade ao trabalho e ao caminho que a Cia. ATP vem trilhando.

Além dos ensaios de música, dos ensaios do Brasil Colônia, permeados com nossas improvisações e contaminadas pelas nossas vastas referências literárias que vai desde o Manifesto Comunista de Marx e Engels, passando por Mistério Bufo de Maiakovski, Calabar de Chico Buarque e Paulo Pontes e como não podia deixar de ser Santeiro do Mangue, Serafim Ponte Grande e João Miramar do nosso Oswald de Andrade entre outras referências, temos mais dois processos que entraram para aumentar essa vasta teia: Medéia Colonial e O limpador de convés e o descascador de batatas. O primeiro falando do Brasil cana de açúcar e o outro do Brasil descobrimento.

Posso falar com mais propriedade do Medéia Colonial, processo em que estamos só nós as mulheres, usando como temática o Brasil cana de açúcar, proprietários de terra, a luta pela terra da qual queremos falar, permeadas de magia, deusas gregas, gotas d’água, paixões, amor e acima de tudo, da força que temos que encontrar em nós mesmas todos os dias: mulheres, tão fortes, tão Medéias.

Essa confluência do entrechoque do caldeamento de pesquisas, pessoas, grupos, encontros, processos, debates, lutas e arte fazem esse coletivo dar vida a nossa pesquisa e contribuir assim com a cidade de São Paulo nesse nosso Brasil tão Colônia, que precisa muito dessa Liberdade em Pindorama, não apenas no nosso espaço que leva o nome da nossa terra, mas acima de tudo da nossa terra Pindorama, a qual não por acaso batizamos com o nome o nosso espaço. Nossas casas, nossos Pyndoramas e acima de tudo nossa Liberdade.

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