Relatório de Atividades por Clayton Lima – ATP
Em outubro/2008 no Parque da Aguá Branca, começamos a trilhar nossa pesquisa do Brasil Colônia com algumas obras de Oswald de Andrade e também os livros “Zero” – Ignácio de Loyola Brandão; Manifesto Comunista – Marx e Engels; “Calabar” – Chico Buarque; “Mistério-Bufo” – Vladimir Maiakovski, dentre outros.
No pré-ensaio, jogamos taco ao apito de um ilustre pavão e finalizamos ludificando a colônia brincando de guerrinha de pinhas.
Começamos o ensaio com a leitura instintiva desordenada de vários livros, cada ator com um livro diferente escolhendo as frases pelo acaso da abertura das páginas, o resultado foi muito bom. Muitas frases se encaixavam perfeitamente começando a dar origem a um enredo. A continuidade do processo com leituras e improvisações, originou em algumas descobertas estéticas de figurinos e adereços.
Relatório de Atividades por Flávia Ulhôa – Atriz Convidada
Um tempo intenso e cheio de devorações. Compartilhamentos, debates e principalmente, os nossos encontros e ensaios, me alimentaram com todas as proteínas, carboidratos, fibras e claro, gorduras trans, que são necessários para o início de um processo.
Lá vem a música! Um alimento delicioso de se devorar. São as batidas no surdo que fazem meu coração bater mais forte. UM, dois, três, quatro, UM, dois, três, quatro… são as batidas do meu coração desde então. Com uma saborosa energia, faz a miscigenação perfeita nos ensaios com portugueses, holandeses, índios, negros e escravos.
Relatório de Atividades por Danilo Santos – Ator Convidado
Dentro da pesquisa que nos propomos a realizar sobre o Brasil colonial até os dias de hoje, nos aprofundamos de forma simples e intensa tanto na música e encenação como na política e caráter social imposto desde o fato consumado.
Nesses três meses de trabalho nos dedicamos ao trabalho dividido entre Núcleo de Música, Pyndorama em Revista, Núcleo PY e Núcleos Convidados, compartilhando e unindo nossas pesquisas.
Como ator, participei dos ensaios semanais de música e encenação aos sábados, partindo da proposta inicial da criação coletiva da dramaturgia, com base nas obras que nos servem como base na pesquisa (Calabar, Zero, Obras de Oswald de Andrade, Guerras no Brasil, etc), improvisávamos a partir da análise ativa e da troca de frases como exercício e formação dos textos. Exercitávamos também os personagens e sua composição de figurino e primeiros objetos de cena.
Relatório de Atividades – Núcleo de Música
O núcleo de música da Cia. Antropofágica (ATP), que é composto pelos músicos Bruno Miotto e Bruno Mota e pelo diretor musical Lucas Vasconcelos vem trabalhando nesses últimos 3 meses afim de cumprir com as designações determinadas no projeto Liberdade em Pindorama, contemplado pela Lei do Fomento de 2008.
Durante o início do processo, o músico Thiago Abdalla foi substituído pelo músico Bruno Mota devido a problemas relacionados a agenda, horários dos ensaios e reuniões.
A principal proposta para esses 3 meses de trabalho foi fazer um levantamento histórico-musical do período colonial do Brasil e suas influências, preparação vocal de todo o elenco envolvido e o desenvolvimento da sensibilidade musical através de ensaios que foram realizados duas vezes por semana, com duração de duas horas cada.
Relatório de Atividades por Haroldo Stein – ATP
O trabalho individual, assim como de cada integrante do grupo, Cia. Atropofágica (ATP) se dá não apenas como de ator/atriz, mas sim também em diferentes frentes de trabalhos coletivos.
Os ensaios da pesquisa de Liberdade em Pindorama – Brasil Colônia, começou com leituras de obras como as de Oswald de Andrade, Mistério Bufo de Maiakovski, Manifesto Comunista de Marx e Engels, Zero de Ignácio de Loyola Brandão, Calabar de Chico Buarque, textos referências como o do Padre José de Anchieta entre outros, que serviram e servem como base da pesquisa.
A leitura dentro do ensaio ocorre de forma que cada ator possua um livro e leia trechos, frases, palavras, expressões um de cada vez de forma não linear e a princípio sem muito significado nesse texto que se forma em conjunto, mas aos poucos, se forma em um discurso único.
Relatório de Atividades por Rafael Gracioli – ATP
Desde outubro/2008 trabalhamos na pesquisa de Liberdade em Pindorama, projeto contemplado pelo Fomento. Desde então, iniciamos uma pesquisa voltada para o Brasil Colônia.
Para dar início à pesquisa, fiz a leitura de textos do Padre José de Anchieta e da carta de Pero Vaz de Caminha, de onde surgiram as primeiras improvisações. Também lemos Calabar de Chico Buarque, Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, Santeiro do Mangue e Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade.
Relatório de Atividades por Daniela Leite – Núcleo PY
O Núcleo PY é fruto da Oficina do Ator Antropofágico, ministrada no Tendal da Lapa em 2007. Somos resultado de um estudo de Stanislavisk e fichamento de sua obra “A Preparação do Ator”.
Desse estudos surgiu a necessidade de colocar em prática as técnicas aprendidas e para isso, escolhemos cenas de duas famosas peças: Otelo e Quando as Máquinas Param. Porém, o limite de horário e o excesso de barulho no Tendal da Lapa, nos levaram à procura de um espaço próprio.
Encontrar um espaço, deixá-lo com a “nossa cara”, nos aproximou do núcleo da Cia. Antropofágica (ATP), viabilizando um aprendizado de perto da função de ator.
Relatório de Atividades por Gilberto Alves Jr – Núcleo PY
Nos últimos meses as idéias, vivências, criações, conteúdos e a poesia que temos devorado tem nos alimentado de maneira muito rica.
Para além da minha própria formação como ator, há a formação do Núcleo PY acontecendo de maneira orgânica, eu como uma parte deste e este estando amalgamado em mim. Os exercícios que temos feito, tanto no Parque da Água Branca como no próprio Pyndorama tem sido muito interessantes e ao mesmo tempo desafiadores. Temos aprendido muito.
O PY está dentro de um coletivo, de uma tribo, a Cia. Antropofágica (ATP), e o contato com o núcleo de atores profissionais da ATP é extremamente enriquecedor neste processo. Nossa proximidade da pesquisa do núcleo, nossas conversas informais nas quais aprendemos tanto, o próprio fato de estamos juntos, no mesmo espaço, mas também a grande generosidade de todos os atores para conosco tem contribuído de maneira incalculável para a nossa formação.
Registro dos “Diálogos Antropofágicos”
O primeiro encontro de devoração aberto ao público – parte integrante do Projeto de Fomento da Cia. Antropofágica – realizado no dia 08 de dezembro de 454 (ano de deglutição do Bispo Sardinha), aconteceu trazendo inovações no formato e na estrutura de encontros envolvendo explanações de idéias.
A primeira delas foi o tema extremamente amplo “Liberdade em Pindorama” (quase um anti-tema, uma maneira de fazer com que o convidado se livre – um pouco – do preparo prévio que um tema fechado propicia), o que imprimiu um caráter mais informal ao diálogo, mas não menos caloroso e controverso.
A segunda inovação (que não chegou a ocorrer, talvez devido ao teor das colocações e aos discursos inflamados) seria o rompimento com a idéia de palestra ou mesa-redonda, ou seja, o que se almejava era que os diálogos pudessem tirar a aura que envolve a retórica dos convidados e promovesse a socialização entre os demais envolvidos no processo, o que acarretaria em uma “dessacralização” do mesmo.

