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Relatório de Atividades por Alessandra Queiroz – ATP

Nosso primeiro encontro foi para decidirmos horários de ensaio e a dinâmica dos mesmos.

Nosso primeiro ensaio do Brasil Colônia foi no Parque da Água Branca onde os textos referências Calabar, textos de Padre José de Anchieta, Caspriano de Abreu, Guerras no Brasil Colônia, Zero, A igreja no Brasil Colônia, Manisfesto Comunista, O Tabaco no Brasil e A Reforma Agrária no Brasil Colônia, deram mote para nossa primeira improvisação nesse processo.

Cada ator lia trechos do livro que pegou aleatoriamente, enumerando cada fala, surgindo assim uma escrita automática. Os outros três ensaios seguiram nessa linha. Observei nessa pesquisa o surgimento de um texto a ser trabalhado com afinco. Outras propostas surgiram: cada ator elaborar um texto com as referências propostas.

Integrado aos nossos ensaios do Brasil Colônia começamos nossos ensaios de música que foram essenciais para o surgimento de novas idéias para cenas. Encontramos a unidade através do ritmo e aprimoramento do nosso conhecimento musical e vocal: afinação, percepção de tempo e ritmo.

Em meio a isso surgiu a proposta de fazermos Medéia Colonial com as atrizes do Núcleo Artístico e a atriz convidada Fabi Ribeiro. Após treinamentos e ensaios foi sugerida a entrada da atriz em formação Daniela Leite, do Núcleo PY.

Os ensaios da Medéia foram organizados da seguinte maneira:

. Leitura e discussão do texto;
Medéia, a estrangeira fugitiva de sua terra, banida da terra de Jasão e exilada de Corinto. Medéia negra trazida como escrava.
. Aquecimento
Com músicas e com tecidos de liganete como adereço.
. Rituais
Medéia e o ritual – a relação dela com o Brasil Colônia.
Neste tópico elaboramos cenas individuais focando rituais.
Construí a Medéia com o ritual xamã onde o contato com o espírito antepassado faz a pessoa perder seus sentidos antigos e conquistar forças novas. Por que xamã? Por tratar-se de um ritual onde o passado é exterminado surgindo novas forças e por ser um ritual realizado somente por homens onde entra o embate de que em Medéia as mulheres eram tratadas com desprezo e sem direito de escolhas.

. Jasão
A construção do Jasão partiu de uma discussão sobre como defendê-lo. A idéia não é defender e sim elaborar o personagem/homem e desenvolver o pensamento e as ações deste personagem com o universo do Medéia Colonial.

Esse ensaio foi um misto de Jasões e Medéias, onde surgiram fortes referências de encenações dos dois personagens.

Nesse momento aprofundamos o pensamento na Medéia Colonial, ambientando a história no Canavial de Creonte e a relação de Medéia com Jasão e os quilombolas. Surge mais uma referência para agregarmos ao processo – Arena Conta Zumbi.

. Creonte
O estudo de Creonte baseia-se na luta de classes, poder e humilhação.

Nosso próximo passo é seguir para Egeu e construir a trajetória do texto Medéia Colonial.

Agregado aos ensaios tivemos:

Encontro com o Núcleo PY – Projeto de Formação onde cantamos e improvisamos algumas canções.

Encontro com o Coletivo Dolores em duas etapas: na sede do Dolores – CDM Patriarca e no Pyndorama. Nesses encontramos fizemos trocas de vivências e comentamos o andamento de nosso projeto de fomento.
Encontro de compartilhamento de pesquisa com o Grupo Patuá, o ensaio aberto do espetáculo baseado em pesquisa surrealista “ E o pássaro se confundiu com o vento” que faz parte do projeto de ocupação do Pyndorama.

Compartilhamento do espetáculo “Ensaio para o Inverno” do Nosso Grupo de Teatro baseado no conto de Simone de Beavouir e que também faz parte da ocupação no Pyndorama. O compartilhamento com outros grupos trouxe a diversidade para o Pyndorama.

Em nossos encontros para reflexão elaboramos nossa agenda (Pyndorama) e como caminha as ocupações e pesquisas no espaço. O Grupo Patuá realizou ensaios e apresentações do espetáculo acima citado, o Nosso Grupo de Teatro ficou em cartaz com dois espetáculos: O Jardim dos Duendes e Ensaio para Inverno, a Trupe Pau a Pique vem realizando ensaios para seu novo espetáculo e o Grupo Angatú também.

No Pindorama em Revista discutimos a crise do EUA e qual o caminho que a economia mundial seguirá nesse momento. Debates inflamados sobre a relação de nosso país diante dessa crise.

Tivemos nosso primeiro Diálogos Antropofágicos com os intelectuais: Paulo Arantes e Chico de Oliveira
Chico de Oliveira falou que o Brasil Colônia é tema de historiadores e que nesse período não havia uma unidade. A colônia tratava-se de várias e não somente de Portugal. Partiu de nossa história do Padre Anchieta ao pai Lula.

Paulo Arantes compartilhou de sua participação no Tribunal Popular e nos disse que Liberdade em Pindorama é comparado como um carro alegórico. Pontuou que devemos fazer nosso trabalho artístico com foco nos trabalhadores.

No Brasil Colonia até os dias atuais sofremos de uma confusão social e de classe. A Liberdade em Pindorama é uma esquizofrenia assim como Pindorama. O teatro é um grande tribunal.

Leia mais sobre Acompanhe o fomento

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