Relatório de Atividades por Daniela Leite – Núcleo PY
O Núcleo PY é fruto da Oficina do Ator Antropofágico, ministrada no Tendal da Lapa em 2007. Somos resultado de um estudo de Stanislavisk e fichamento de sua obra “A Preparação do Ator”.
Desse estudos surgiu a necessidade de colocar em prática as técnicas aprendidas e para isso, escolhemos cenas de duas famosas peças: Otelo e Quando as Máquinas Param. Porém, o limite de horário e o excesso de barulho no Tendal da Lapa, nos levaram à procura de um espaço próprio.
Encontrar um espaço, deixá-lo com a “nossa cara”, nos aproximou do núcleo da Cia. Antropofágica (ATP), viabilizando um aprendizado de perto da função de ator.
Fomos convidados, como grupo originado da Oficina, a participar de um Festival de Teatro no Tendal da Lapa e construímos uma performance instantânea baseados no texto de Oswald de Andrade “O Panorama do Fascismo”. Dando continuidade ao nosso processo de formação e como resultado de algumas discussões sobre vigilância e pseudo-liberdade, escolhemos o texto de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, “Liberdade, Liberdade”, como próximo projeto. Optamos com convidar mais três pessoas, também vindas da Oficina, para colaborar com o projeto e também, participar do projeto de formação de atores da Cia. ATP. Em julho/2008 entramos em cartaz com a peça “Mas afinal, o que é a liberdade?”.
Em agosto/2008 fomos contemplados pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo com o projeto Liberdade em Pindorama.
Como parte do projeto de formação de atores, participei de:
- estudos quinzenais denominados Pindorama em Revista, que discute principalmente política, história e o papel dos grupos de teatro nesses campos.
- estudos literários com Jobi Espaziani, que tratou de temas como a história da leitura, decifrar signos, jogos sociais na prática da leitura e a idéia do prazer de ler.
- ensaios com o Núcleo de Música.
- integração e participação da pesquisa do Núcleo Artístico.
- encontros e palestras com Iná Camargo da Costa, Paulo Arantes e Francisco de Oliveira, tratando sobre os mais variados temas.
- compartilhamento de pesquisa com o Grupo Patuá, um dos Núcleos Convidados, um grupo formado por estudantes do curso de Artes do Corpo da PUC, com o espetáculo “E o pássaro se confundiu com o vento”.
- compartilhamento de pesquisa com o Nosso Grupo de Teatro, também um Grupo Convidado, com o espetáculo “Ensaio para Inverno”.
- convivência com o grupo “Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes”, conhecendo sua sede, jogando jogos de improviso, cantando e compartilhando idéias e experiências.
- participação da pesquisa de outros grupos fomentados, tais como o Folias com o ciclo de debates “Terra arrasada, e agora?” e a Cia. São Jorge de Variedades com Roda de Prosa Heiner Muller.
Em novembro, dois dos integrantes que estavam conosco desde o surgimento do Núcleo PY, deixaram o projeto por alegar incompatibilidade de agenda. Com isso, um novo desafio surgiu: integrar e se adaptar aos dois novos integrantes, devorando-os e deixando ser devorada por eles.
O grupo iniciou uma série de treinamento no Parque da Água Branca, como forma de se integrar ao público e de trabalhar improvisações e também, iniciamos a leitura e trabalho com as músicas do texto “Arena Conta Zumbi”.
Paralelo a todo esse processo, fui convidada pelo diretor Thiago Reis Vasconcelos a integrar a pesquisa composta apenas por mulheres, com base na tragédia de Eurípides – Medéia – “Medéia Colonial”.
Fui digerindo a pesquisa aos poucos e me encontrando, já que o processo já havia começado quando entrei. Em cada ensaio trabalhamos o arquétipo de um dos personagens de Eurípides: Medéia, Jasão, Creonte, Egeu. O uso de exercícios criados pelas atrizes como aquecimento, a música do candomblé, o texto de Chico Buarque “Gota D’água” e o site sospropriedade, tem embalado nossa pesquisa.
Esse convívio direto com o Núcleo Artístico da Cia. ATP colabora com o meu processo de formação de ator, possibilitando a troca de conhecimentos e digestão dos estudos, palestras, pesquisas, treinamentos, num diálogo rico em diversidade e que não se acaba, gerando um desenvolvimento prático do fazer artístico.
Agenda do Núcleo PY
28/09 – Pindorama em Revista às 10h e estudo literário às 11h com Jobi Espaziani.
30/09 – Primeiro encontro para reflexão e planejamento entre núcleos orgânicos e núcleos convidados às 21h.
06/10 à 03/11 – Formação: Roda Prosa Heiner Muller no Teatro Coletivo Fábrica, com a Cia São Jorge de Variedades.
12/10 – Pindorama em Revista às 11h.
28/10 – Segundo encontro para reflexão e planejamento entre núcleos orgânicos e núcleos convidades às 20h30 e compartilhamento entre Núcleo Artístico e Núcleo PY, com a exibição do vídeo Cassandra, encenado pela Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveis.
09/11- Pindorama em Revista às 11h.
13/11 – Compartilhamento de pesquisa com o Núcleo Convidado Patuá às 18h30, com ensaio aberto e debate sobre a peça “E o pássaro se confundiu com o vento”.
16/11 – Pindorama em Revista às 11h.
17/11 à 01/12 – Formação: Terra arrasada, e agora? organizado pelo Grupo Folias
20/11 – Formação: Barbárie na Roda, com Iná Camargo às 14h. Reunião com o Núcleo PY para tratar sobre a saída de dois integrantes do grupo.
21/11 – Compartilhamento de pesquisa com o Nosso Grupo de Teatro com a peça “Ensaio para Inverno”.
23/11 – Reunão com o Núcleo PY para tratar sobre a
integração de novos dois participantes.
24/11 – Formação: Teatro Coletivo Fábrica “Um espectro ronda a himanidade: A Antropofagi”, com Thiago Reis Vasconcelos e Antonio Macário.
26/11 – Ensaio de música às 19h30 e integração com o Núcleo Artístico com jogos e músicas.
30/11 – Pindorama em Revista às 11h. Treinamento no Pq. da Água Branca com exercícios e leitura do capítulo “Acabar com as Primas”, do livro O Teatro e Seu Duplo de Artaud.
04/12 – Convivência com o Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, na sede do Dolores.
07/12 – Pindorama em Revista às 10h. Treinamento no Parque da Água Branca – jogos de improviso aprendidos com a convivência na sede do Dolores.
08/12 – primeiro encontro com Paulo Arantes e Francisco de Oliveira, denominado “Diálogos Antropofágicos”.
11/12 – Convivência com o Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, na sede da Cia. ATP.
14/12 – Aquecimento e improvisação de cenas dramáticas.
16/12 – Manifesta Fomento.
17/12 – Leitura do texto “Arena Conta Zumbi”. Repasse do primeiro ato da peça “Mas afinal, o que é a liberdade?”.
21/12 – Aquecimento e exercícios utilizando as músicas da peça “Arena Conta Zumbi”.
