Relatório de Atividades por Gilberto Alves Jr – Núcleo PY
Nos últimos meses as idéias, vivências, criações, conteúdos e a poesia que temos devorado tem nos alimentado de maneira muito rica.
Para além da minha própria formação como ator, há a formação do Núcleo PY acontecendo de maneira orgânica, eu como uma parte deste e este estando amalgamado em mim. Os exercícios que temos feito, tanto no Parque da Água Branca como no próprio Pyndorama tem sido muito interessantes e ao mesmo tempo desafiadores. Temos aprendido muito.
O PY está dentro de um coletivo, de uma tribo, a Cia. Antropofágica (ATP), e o contato com o núcleo de atores profissionais da ATP é extremamente enriquecedor neste processo. Nossa proximidade da pesquisa do núcleo, nossas conversas informais nas quais aprendemos tanto, o próprio fato de estamos juntos, no mesmo espaço, mas também a grande generosidade de todos os atores para conosco tem contribuído de maneira incalculável para a nossa formação.
Todos nós ocupamos, vivemos e trabalhamos no Espaço Pyndorama, nossa casa coletiva. Trabalhar aqui, seja na comunicação do espaço que é a minha área mais específica, mas também no cuidado do espaço, ajudando em tarefas relacionadas a outros espetáculos e projetos, tem nos ensinado na prática novas habilidades que nos enriquecem como atores, como por exemplo iluminação, figurino, cenário, etc.
Não somente nós da ATP, mas também os Grupos Convidados que ocupam este espaço conosco. O contato com esses grupos e seu modo diferente do nosso de ser e trabalhar e fazer arte tem sido uma grande fonte de novas idéias e aprendizados.
Quero destacar o compartilhamento de pesquisa com o Grupo Patuá, por se tratar de um grupo que de certa forma, é também um grupo em formação assim como o PY, com a diferença que este está terminando de se formar em um bacharelado na PUC, e nós estamos trilhando outro caminho, o do aprendizado através da pura imersão no ofício do ator e contato direto com aqueles que atuam há tanto tempo. Podemos notar a diferença que cada tipo de formação tem e ver os resultados do trabalho deles, bem como eles verem o resultado do nosso trabalho, além de todo o processo e troca de conhecimento.
Para além do Pyndorama e dos grupos que o ocupam, estamos todos inseridos na cena cultural do chamado teatro de grupo. Aproveitamos ao máximo toda contribuição que outros grupos têm, tão generosamente, oferecido não somente a nós mas à cidade de São Paulo, geralmente assim como nós mesmos viabilizados pelo Programa de Fomento.
Foram diversas palestras sobre os mais variados temas. Encontrei em Heiner Müller um outro mundo, uma outra maneira de ler a história do teatro e o chamado teatro contemporâneo, graças aos vários encontros sobre o tema no teatro coletivo Fábrica promovidos pela Cia São Jorge de Variedades, dos quais participamos.
Também aprendemos muito com as diversas palestras sobre temas de muita importância como a questão da reforma agrária com um dos diretores do MST, diversas palestras sobre temas relacionados com o teatro e outros com intelectuais como Iná Camargo, Paulo Arantes e Chico de Oliveira.
Nos últimos encontros do Núcleo PY, estamos pesquisando, a partir do tema Liberdade em Pindorama (no Brasil Colônia), a peça “Arena Conta Zumbi”. Estamos aprendendo muito, não somente sobre o trabalho do ator continuando nossa experiência com o teatro de arena, mas também em muitas reflexões sobre a liberdade em si, liberdade esta que de diversas formas vamos alcançando mais e mais a cada dia durante este processo de formação no seio do grupo.
