Relatório de Atividades por Ruth Melchior – ATP
Liberdade em Pindorama é uma busca antiga da Cia. Antropofágica para a cidade de São Paulo. Nossa pesquisa começou com Macunaíma no País do Rei da Vela em 2003 e hoje, com a possibilidade de uma pesquisa mais intensa, desde outubro podemos dizer que estamos descobrindo as raízes do Brasil de uma maneira inspiradora e vital para o trabalho do ator, diretor, dramaturgo, etc.
“Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. É preciso considerar esse fato para se compreender exatamente as condições que por via direta ou indireta nos governaram até muito depois de proclamada nossa independência política e cujo reflexo não se apagaram ainda hoje.”
Sergio Buarque de Holanda
Quando Sergio Buarque coloca isso em Raízes do Brasil ele traz em pauta uma discussão política para o “Brasil Colonial Contemporâneo”
Os fazendeiros escravocratas permanecem até hoje, vestidos de terno e gravata e a luta pela abolição já não é mais pela quebra das correntes e sim pela quebra dos crachás.
Por isso tem sido essencial o Pindorama em Revista pois nele podemos levantar discussões aguçadas com muita crítica política para um Pindorama ainda em formação.
Os encontros com Iná Camargo, Paulo Arantes e Chico de Oliveira tem nos alimentado no processo da pesquisa. Ouvir grandes companheiros de luta e as várias possibilidades de caminhos a se traçar pela arte, mesmo que seja esquizofrênico falar de uma liberdade utópica.
O ponto de partida dessa pesquisa Liberdade em Pindorama tem sido um período colonial cheio de carnavalização indígena, africana e atabaques surrealistas, uma rítmica que vem acompanhada pelo Núcleo de Música, companheiros dessa pesquisa no “Brasil Colonial”.
Músicas, surdos, agogôs, atabaques, flautas, instrumentos de percussão feitos artesanalmente com PVC, cabos de vassoura tudo é permitido para que ninguém saia do tom.
Dessa carnavalização colonial antropofágica surgiu Medéia Colonial, uma necessidade de trabalho somente com as mulheres que se aprofunda na pesquisa da mulher no Brasil colônia:
*A chegada da mulher nessa colônia
*A luta pela sobrevivência
*A busca pela terra
Uma divisão de terra vem acontecendo dentro do Espaço Cultural Pyndorama com grupos agregados a essa liberdade. São eles: Angatu, Patuá, Pau a Pique e Nosso Grupo de Teatro. Nasce então dessa divisão a troca de parceiros nessa luta política-artística. Outro grupo que também nos proporcionou uma troca foi o Grupo Dolores Boca Aberta em um jantar apetitoso.
Não podemos esquecer o Projeto Y (“PY”), um projeto de formação realizado pela Cia. Antropofágica que surge como uma troca interna com os companheiros ali presentes na labuta e no ócio diário do ator, a troca prática e literária como as referências do Brasil Colônia… Padre José de Anchieta; Calabar de Chico Buarque; A igreja no Brasil Colônia; O Tabaco no Brasil; Guerras do Brasil de Caspiriano de Abreu; O Mistério Buffo de Maiakovski; Zero de Inácio Loyola Brandão; A Morta, O Rei da Vela, Memórias sentimentais de João Miramar de Oswald de Andrade; Manifesto Comunista de Marx e Engel; dentre outros.
Essa energia de troca só tem enriquecido cada vez mais… “nosso pindorama de cada dia”. Amém.
