Relatório de Atividades do Grupo StouraZ
O Grupo StouraZ da Cooperativa Paulista de Teatro existe desde o ano 2000 e nasceu a partir das inquietações existenciais que compartilhamos como grupo e acreditamos que temos a união de forças, pensamentos e propostas artísticas que defendem um teatro que modifique quem o assiste, ou seja, que exista uma função social transformadora a partir de uma experiência estética teatral e que essa filosofia resulte em pesquisa de linguagem.
O nome deriva do adjetivo Estouraz. Esse adjetivo é feminino e masculino e significa: Que estoura. Ruidoso.
Como artistas cênicos, optamos por eliminar o E do início do nome para criarmos um “nome fantasia” ruidoso, fácil e que abarcasse a filosofia do grupo.
Iniciando com a letra “S” temos como simbologia da grafia a flexibilidade, a sensibilidade, a fluência e a sinuosidade que denotam a filosofia do grupo de emocionar, tocar, sensibilizar, afetar o público com personagens, palavras, gestos, canções e teatro.
Finalizando com a letra “Z” temos como simbologia da grafia o objetivo certeiro, a racionalidade, o compromisso e a responsabilidade que denotam a filosofia do grupo de uma busca ética e estética do fazer teatral, pensando em todos os elementos do espetáculo com significância e respeito pelo palco e pelo público.
Essa filosofia resulta em uma pesquisa de linguagem colaborativa e autoral que faz a junção do texto dramático ou narrativo, com imagens performáticas que podem ser usadas como metáforas sobre a contemporaneidade.
Para nós a vida inicia-se com um estouro, com a ruptura da concepção. A idéia ou a criatividade é para nós um estouro ou insight cerebral. A arte é o estouro criativo concretizado, é a junção de criatividade, sensibilidade, insights a respeito do fazer artístico e emoção.
Acreditamos que a vida é um estouro desde a concepção, o início do estouro, até a morte, o momento em que cessam os estouros. Desta maneira, nosso grupo acredita que a vida é feita de rupturas e “estouros” e nosso enfoque é o momento pelo qual se disparam as emoções que nos tornam vivos e existentes no mundo. Percebemos muitas vezes que nos falta “estouros”, pois há um entorpecimento e perplexidade diante da vida.
Sendo assim buscamos na contemporaneidade questionar, provocar e afetar o público usando a nossa investigação estética/ética/artística para sensibilizar “estouros” nas pessoas.
Somos profissionais das Artes Cênicas que buscamos em nós o que propomos para o público e estamos juntos porque partilhamos da busca estética de questionar a nossa existência e também porque acreditamos que unidos podemos transformar as crises particulares em universais e para isso precisamos de fato assumir que somos seres humanos que erram e que acertam, que amam e odeiam e resumindo que são seres ainda humanos.
Temos as seguintes questões como grupo:
O que é existir?
O que nos afeta?
O que necessitamos?
O que precisa estourar?
Dos trabalhos que realizamos desde 2000 destacamos os seguintes: A Mais Forte; Lisístrata; Hair; Chorus Line; Liberdade, Liberdade; A Cantora Careca; Terror e Miséria do Terceiro Reich; Morte e Vida Severina; Buchicho; Ato Cultural; A Semana dos Três Dias; Reservado para Mulheres; Vereda da Salvação entre outros.
O ENCONTRO COM A CIA. ANTROPOFÁGICA
Após a inauguração do Espaço Pyndorama, alguns meses depois os membros do grupo Stouraz foram visitar o espaço e estabelecer contato com a Cia. Antropofágica.
A conversa durou mais de três horas e encontramos um ambiente acolhedor e ao mesmo tempo instigante para a troca estética entre os grupos e a abertura para propormos uma parceria.
Tivemos uma surpresa muito agradável quando percebemos que estamos investigando a LIBERDADE com enfoques diferentes, mas que nos aproximou ainda mais com a investigação e pesquisa como grupos em um mesmo tema.
O grupo Stouraz investiga a LIBERDADE a partir da teoria do existencialismo sartriano sobre o aspecto da escolha e a Cia. Antropofágica investiga a LIBERDADE no Brasil Colônia. Essa proximidade temática nos aproximou ainda mais e decidimos formalizar a parceria.
O grupo Stouraz perguntou qual seriam as necessidades mais urgentes do grupo e a Cia. Antropofágica pediu para o grupo identificar as necessidades e propor uma parceria.
Saímos de lá pensando em várias possibilidades de parceria.
A PARCERIA
Como grupo parceiro essas foram as nossas propostas:
- Propor uma parceria atuante no espaço e participar das reuniões e ensaios abertos;
-Dividir e compartilhar com a Cia. Antropofágica a pesquisa estética do grupo;
- Identificar as necessidades da Cia Antropofágica no processo de ensaio do espetáculo e propor e executar workshops conforme a necessidade como troca estética e reflexão.
- Preservar e cuidar do espaço e doar materiais de limpeza;
- Ocupar o espaço como parceiro atuante e compartilhar os percalços e acertos do processo de ensaio da peça;
- Ocupar o espaço para ensaio;
- Ocupar o espaço para apresentação e realizar a divulgação do espaço através de assessoria de imprensa.
A OCUPAÇÃO
O Grupo Stouraz após a consolidação da proposta da parceria organizou seu cronograma e o grupo para o início dos ensaios, da investigação estética e da parceria.
Optamos em ensaiar nas terças-feiras no período da tarde a partir das 13 horas e consultamos a Cia. Antropofágica se era ou não possível ocuparmos o espaço para ensaio no dia pretendido.
Com a resposta positiva começamos a ensaiar a peça Disparo Sartriano a partir de março de 2009, combinando o início dos ensaios com o início da ocupação.
OCUPANTES DO ESPAÇO
ELENCO:
Anderson Marques
Angelina Cristina
Rafael Morpanini
Sandra Soares
DIREÇÃO/PROVOCAÇÃO
Paulo Oséas
RELATÓRIO DE ENSAIOS/MARÇO – 2009
TERÇA-FEIRA – 03/03/2009
Iniciamos o ensaio e a ocupação do espaço;
Optamos em utilizar a sala debaixo e quando chegamos ao espaço o cenário que pensamos estava na sala o que nos surpreendeu positivamente;
Leitura de texto e conversa com o diretor/provocador;
Agendamento de horários e entendimento do texto com troca de personagens.
TERÇA-FEIRA – 10/03/2009
Conversamos sobre nossas propostas de início para o espetáculo;
Juntamos as propostas e ensaiamos algumas versões de início do espetáculo;
Gravamos e assistíamos nossas propostas e modificávamos o que não ficava interessante;
Fechamos uma idéia e discutimos sobre aspectos organizacionais do grupo.
TERÇA-FEIRA – 17/03/2009
Ensaiamos o começo da peça e começamos a descobrir as relações que temos com os personagens;
Ensaiávamos e discutíamos nossas perspectivas e propostas;
Investigamos nossas dificuldades e acertos;
Trocamos de personagens o que nos proporcionou uma nova perspectiva da peça;
Conversamos e terminamos o ensaio com a seguinte pergunta: Quando sentimos verdadeiramente que existimos nesse mundo?
StouraZ da Cooperativa Paulista de Teatro
DIREÇÃO E PROVOCAÇÃO: PAULO OSÉAS
DRAMATURGIA: STOURAZ E ANGELINA CRISTINA
AUTOR INSPIRADOR:JEAN PAUL SARTRE
SUPERVISÃO DRAMATÚRGICA: MARCELO SOLER
PROVOCADORA SARTRIANA: PSICANALISTA CRISTIANE MENDES ALVES
ELENCO: ANGELINA CRISTINA, ANDERSON MARQUES, RAFAEL MORPANINI E SANDRA SOARES
INSTALAÇÃO CÊNICA: ANDRÉ LATORRE
CENOTÉCNICO E DESIGNER VISUAL: LUCIANO DE ABREU
CONCEPÇÃO DE FIGURINOS: ANDRÉ LATORRE
DESENHO E CONCEPÇÃO DE LUZ: PAULO OSÉAS
COMPOSIÇÃO MUSICAL: SANDRA SOARES
TRILHA SONORA: PAULO OSÉAS
PROJETO: SANDRA SOARES
PROJETO GRÁFICO: LUCIANO DE ABREU
PRODUÇÃO: STOURAZ
