Relatório de Atividades por Alessandra Queiroz – Núcleo ATP
Circuito do Caminhante
* Manutenção do Espaço Pyndorama
O espaço é mantido através dos custos fixos – água, luz, aluguel – e na contratação de duas pessoas: uma responsável pela limpeza e outra pela organização, consertos e adaptações do espaço, e gerido pelos participantes por reuniões e assembléias.
O Espaço Pyndorama, tem uma programação mensal com eventos do Projeto Liberdade em Pindorama e com outros grupos que o utilizam para ensaios e apresentações como o Le Plat de Jour que ensaia no espaço desde fevereiro, e os espetáculos “O Jardim dos Duendes” do Nosso Grupo de Teatro (que faz parte da ocupação) e “Depois de Tudo” de Franz Kepler que estreou em Março. A convivência de todos esses grupos traz uma reflexão de nosso fazer artístico, social e coletivo.
* Estabelecimento no Espaço Pyndorama de residência para outros grupos e núcleos artísticos convidados.
Residência de outros grupos:
Trupe Pau a Pique – Realiza no espaço reuniões e ensaios para a reelaboração de seu espetáculo infantil. O dramaturgo Rogério Guarapiran, além de ministrar o Ciclo de Estudos Dramatúrgicos, participa como colaborador em nosso processo colaborativo.
Grupo Angatú – Realiza treinamentos e ensaios para seu novo espetáculo. Seu coordenador Victor de Seixas em conjunto com a Cia. Antropofágica, realiza treinamentos corporais através da Mímica no Núcleo de Estudos do Corpo.
Grupo Patuá – Após ensaios e apresentações do espetáculo “E o pássaro se confundiu com o vento…” o Grupo Patuá paralisou temporariamente suas pesquisas, e assim decidiram sair da residência do Pyndorama, sendo substituído pelo grupo StoraZ, que tem realizado ensaios e discussões sobre a construção do espetáculo –ainda sem nome – que fala da liberdade e opressão utilizando a pesquisa em Jean Paul Sartre.
Nosso Grupo de Teatro – Em fevereiro voltaram em cartaz com a peça infantil: “O jardim dos duendes” e iniciou a oficina de atores para construção do novo espetáculo.
* Compartilhamento de Pesquisa e Criação Artística
Leituras dramáticas compartilhadas : a serem realizadas em fins de Março início de Abril 2009.
Encontros de Reflexão
Encontros realizados uma vez por mês para discutirmos o andamento do projeto da Cia. e a residência dos demais grupos. Esses encontros aconteceram individualmente com cada grupo.
Núcleo de estudos de dramaturgia com a Trupe Pau a Pique
Demos início ao Núcleo de Estudos de Dramaturgia, coordenado por Rogério Guarapiran e aberto ao publico em geral. Abordamos a questão do pós-dramático, onde o texto passa a ter outro significado na montagem, passa-se a não ostentar mais a idéia do texto como um todo. Ator e diretor altamente criativos e críticos para criar cenas do processo colaborativo, que se torna-se estético, torna-se político. Tudo e qualquer coisa é ligada e o espectador também faz parte desse processo de transformação estética e política dos temas abordados.
Analisamos trechos das obras: Hamlet de W. Shakeaspeare e sua construção dramática onde o autor na primeira cena estrutura tudo do que será visto dali em diante; e a obra de Heiner Muller – Hamlet Machine e sua construção pós-dramática onde o início é uma grande zona de distinção, confuso e vago, que transmite a responsabilidade da execução da obra ao ator e diretor.
Após assistir nosso ensaio aberto, Guarapiran sugeriu focar um pouco no que estamos fazendo. Neste encontro discutimos as principais teorias e questões dos gêneros épico e dramático. Analisamos trechos das obras Ubu Rei de Alfred Jarry e Macbeth de W. Shakeaspeare.
Caminhamos para uma clareza quanto à dramaturgia e seus princípios, sem perder o foco que é o esclarecimento de como elaborar aquilo que queremos dizer.
Núcleo de Estudos do Corpo do Ator, com o Grupo Angatú
Partindo da idéia do ator re-conhecer sua matéria prima – o corpo – Victor de Seixas tem feito treinamentos onde o foco é fazer com que os movimentos conscientes tornam-se orgânicos no corpo do ator. A ferramenta utilizada é a Mímica.
* Aprimoramento dos Núcleos Orgânicos da Cia. Antropofágica
Além do Núcleo de Estudos de Dramaturgia e do Corpo do Ator, também temos: Núcleo de Música, Estudos Literários e o Pindorama em Revista.
Núcleo de Musica
Iniciamos esta segunda fase do projeto com a experimentação do Maculele como percepção rítmica. Unificamos os ensaios de música às nossas improvisações, criando assim músicas para o espetáculo.
Estudos Literários
Nos estudos literários discutimos sobre pra quem é feita uma obra e como poderemos criar algo que seja para todos.
Pindorama em Revista
Nosso fórum de discussão social, política, comportamental, nessa segunda fase foi direcionado para a discussão dos Quilombos que abrange não só o texto “Arena Conta Zumbi” que vem sendo trabalhado pelo Núcleo de Formação PY, mas, também relaciona-se com nossa pesquisa no Brasil Colônia, num segundo momento foi discutido tópicos do livro de Caio Prado Jr – A Formação do Brasil Contemporâneo. O Pindorama em Revista ajuda a contextualizar todas as questões do passado que ainda são presentes.
* Continuidade da pesquisa da antropofagia como princípio criador
“Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.”
Oswald de Andrade
Continuamos a devorar tantas outras bibliografias…
Destrinchamos os livros: “100 Discursos Históricos Brasileiros”, “Ciganos, Vadios e Degredados” e “Crônicas do Brasil Colônia”. Esse material foi distribuído aos atores para devoração deste conteúdo para transformá-lo em forma na pesquisa.
Continuamos a devorar o Núcleo de Música…
O Núcleo de Música após fazer suas devorações, traz para nossa degustação as músicas que surgiram dessas devorações que foram compostas pelo Núcleo de Musica e o Núcleo ATP e já fazem parte de algumas cenas para o espetáculo – ainda sem nome – do Brasil Colônia.
Continuamos a devorar Medeia…
O processo da Medéia Colonial chegou a ser cogitado como um caminho para chegarmos ao Brasil Colônia, mas, após dois ensaios abertos, vimos que o caminho de Medéia será feito com uma colaboração mais calma , conforme vamos desvendando o Brasil Colônia, portanto, continuamos devorando-a só que sem a finalidade de um espetáculo.
Continuamos a devorar…
A devoração é contínua e caminhante, está no teatro, no ato, na sala de ensaio devorando os conceitos da Mímica, da Música… agregando em nossas cenas.
Está na discussão por uma Palestina Livre e contra os ataques que instauraram a barbárie na faixa de Gaza, intensificados em dez/2008 mas que acontecem há vários anos.
Está nas manifestações por uma sociedade livre de preconceitos. Livre da barbárie.
Está nos depoimentos no Metrô, numa quarta-feira, transeuntes: brasileiros, americanos, italianos, franceses, portugueses, suecos, índigenas. Na Praça da Sé, onde o pedinte mistura-se ao turista curiosos com a camera, onde o Dr. engravatado que trabalha pela condenação ou pela liberdade de pessoas, mas que não depõe sobre a condição da liberdade em nosso pais. O que é a liberdade? O que é ser livre?
E toda devoração de conteúdos é de alguma maneira a transformação da forma.
Liberdade no Brasil Colônia.
Pré-descobrimento, descobrimento, o contato do português com o índio, do índio com o português – contato do primitivo com o “burguês”. Tínhamos uma sociedade, consolidada.
A colonização: os desbravadores do além mar, agora desbravam além terras… nada a preservar, tudo desbravar cada vez mais. Sugar até a ultima gota do sangue do índio, e quando só este sangue já não bastava, trazer os negros, e quando não houver mais, escravizam a si mesmos, traem, corrompem.
Tiradentes e aqueles que o traíram. Hamlet e a traição. Enforcam Paulo Frei numa educação opressora. A catequização. O índio operário, o ator operário.
Abrem-se as portas para os ensaios abertos:
A nau que atravessa o mar;
O coro de burgueses a navegar
O coro de índios em seus rituais
A chegada do homem branco
A catequização
A colonização
Apropriando-se das riquezas naturais.
O coro de Bandeirantes
Techos de Pau Brasil – Oswald de Andrade
Techos de A formação do Brasil contemporâneo – Caio Prado Jr.
Monólogos construídos pelos atores do Núcleo ATP
Techos de Maiakovski
Nossa carnavalização, nossa devoração de conteúdo que transforma-se em forma.
Nossa devoração dos atores do Núcleo de Formação PY: Daniela Leite, Gilberto Alves, Renata Adrianna e Thiago Calixto. Dos atores convidados: Fabi Ribeiro e Junior.
Seguimos saboreando este moquém com muito cauim.
Evoé!
