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Relatório de Atividades por Jobi Espasiani – Estudos Literários

dsc033301O trabalho de literatura projetado para o Grupo procurou atender ao escopo de seu projeto de maneira mais ampla. Sendo o tema norteador liberdade na literatura colonial, propus que trabalhássemos aspectos que envolvesse a questão liberdade/coerção no próprio ato de ler. Passamos, então, a dissecar esse ato (ler) em desde o nível lingüístico mais básico até o nível das tensões sociais que, se não lhe são necessariamente imanentes, passam a estar presentes no sujeito leitor à medida que ler envolve diferentes posicionamentos e situações numa sociedade.

Com vistas a exemplificar algumas das tensões, propus a leitura de dois textos:

1. um texto de Carlos Cirne Lima: “Aporia da Definição” – texto de uma área específica da filosofia;
2. um poema de Manuel Bandeira: “Poema tirado de uma notícia de jornal”. Texto aparentemente simplório.

O objetivo não foi interpretar os textos, mas questionar o posicionamento do leitor diante de sua aparente não legibilidade (Cirne Lima) / extrema facilidade (Bandeira). A partir dessa reflexão, reelaborar o percurso semiológico do leitor que passa a considerar o sujeito ontologicamente instaurado no mundo que produziu – na maioria das vezes, num outro espaço e em outro tempo e, para um outro público – o texto que se materializa diante de si. Essa dimensão parece ser diluída na consciência do leitor pela facilidade que os meios de reprodutibilidade hodiernos permitem acesso a quase qualquer texto; o leitor passa a pensar que todo e qualquer texto o tem como público previsto ou idealizado.

Os participantes apontaram que essa questão, nunca anteriormente levantada, acabou por – apesar dos incômodos que causou de início – propiciar uma reflexão sobre seus próprios processos pessoais no ato da leitura, assumindo e trabalhando, destarte, conflitos que anteriormente não pareciam existir por direito e que eram considerados deficiências na formação.

Creio não ser legítimo trabalhar o tema liberdade se não fizermos uma reflexão de cunho epistemológico que ponha em questão os instrumentos intelectuais com os quais esse tema será trabalhado. Tomar o ato de ler em sintonia com o senso comum é prender-se ao emaranhado ideológico que o envolve e, portanto, a leitura que se fará dificilmente será livre.

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2 Comentários Envie um comentário
  1. 16/05/2009

    Belo trabalho, como sempre!

    Abraço.

  2. Deborá Espasiani
    11/08/2009

    Estou orgulhosa de vc. abraço.

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