Relatório de Atividades por Alessandra Queiroz – Núcleo ATP
Seguimos descascando o abacaxi da colônia.
Cia. Antropofágica.
Organizar o corpo, o pensamento, o fazer artístico e social; tudo unido. Somos um só numa coisa só.
A palavra transforma-se em cena = dramaturgia.
O corpo em cena = ação.
A voz como canção = a música.
Ensaios… ensaios… ensaios… ensaios…
ensaios… ensaios… ensaios… ensaios… ensaios…
Boletyns Antropofágicos, o que fazemos e como fazemos.
Devoro e sou devorada na sala de ensaio = ensaios abertos.
A colônia discutida agora: o passado confunde-se no presente, então penso “o que será do nosso futuro?”
O velho experiente alfaiate costura nossas vestes, eu costuro minha veste, a sala de ensaio transformada em ateliê de costura.
O portal é erguido, o “Faz Tudo Nosso de Cada Dia” ergue a “casa” que será nossa moradia nos próximos meses… a casa que tem sempre a “porta” aberta para que nossos visitantes (espectador) possam entrar para apreciar, degustar e compartilhar do abacaxi colonial que colocamos em postas.
A liberdade colocada em questão a todo instante e mesmo existindo amarras continuamos a luta em desatá-las, algumas desatam outras hão de desatar.
Ubu-Rei misturado a Macbeth, Jerry e Shakeaspeare confrontados viram um só + Sartre que “Stouraz” recriado pelo “Pau a Pique” + Grumetes no novo mundo = Leituras Dramáticas.
Fragmentos numa noite com Arena Conta Tiradentes, toca o telefone: perdemos Augusto Boal, a coincidência na fatalidade, em nossas bocas soava palavras dele, nos calamos, um nó em nossas gargantas, perdemos mais um companheiro, mas é preciso continuar e a homenagem vem no trecho do julgamento de Tiradentes que entra na peça Zumbi or not Zumby adaptação de Arena conta Zumbi de Boal feita de forma muito consciente pelo Núcleo PY, e também entra na nossa colagem-dramaturgia ainda não acaba de Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso.
Pouco tempo depois passamos uma tarde muito maravilhosa repleta de trocas artísticas e vivências, grande aprendizado com Romário Borelli que foi integrante do Teatro de Arena.
E as trocas continuam… com Stouraz com o tema do que nos oprime… com o Grupo de Teatro da Poli na USP – performance com os integrantes da Cia ATP e do GTP “O confronto Indígena”.
Nossa estréia se aproxima, o processo esta a todo vapor. De um lado revemos a estrutura da peça, do outro finalizamos os figurinos, a luz começa a desenhar o espaço cênico, o cenário que surge de um sonho… nosso inconsciente a favor do nosso processo.
A pizza nossa de cada ensaio… devoramos, o cansaço bate… dormimos… até nossos sonhos são em coletivos.
Ouvimos um som novo: é o som do clarinete do Frederico que vem acrescentar, enriquecer nosso Núcleo Musical.
Sozinhos temos dois olhos, no coletivo… muitos…
Horas de ensaios, pesquisas, bate o cansaço, algo falta, algo sobra… contar/desconstruir um processo como o da colonização foi durante esses 9 meses agora 12 meses… foi um parto… parimos, nossa visão de mundo, ou o que achamos no mundo?
Muitas vezes temos que deixar nossas convicções para ceder ao outro – isso é dialogar, compartilhar, refletir não só como ator, refletir como cidadão do mundo, cidadão da cidade de São Paulo. Faço parte de uma sociedade que atinge o meu fazer artístico, nesse momento eu quero atingi-la, transformá-la.
Antes da estréia mais ensaios abertos… os visitantes criticam, apreciam, somos devorados e devoramos. O olhar dos companheiros do Pindorama em Revista, tudo o que vimos, falamos, lemos e discutimos agora esta em cena, somos quadros, imagens, velas, carnaval, liberdade!
24 de julho de 2009 – estréia
Dedicatória
Prólogo
Evocação
Narração
Epílogo
Nosso rebento mal nasceu e já começa andar, falar, representar, dialogar, argumentar. Questionamos: que educação queremos? Que país? O que é a liberdade?
Agora mais do que nunca temos vários olhos, bocas, ouvidos… eles vêem, alguns manifestam, outros somente ouvem, mas, todos participam.
Nosso rebento e nós só tendemos a crescer mais e mais…
Evoé!
“O que nos traz a cena é a fome muito mais do que á vontade de representar.” A Morta – Oswald de Andrade.
