Relatório de Atividades por Daniela Leite – Núcleo PY
Trabalha, trabalha, trabalha irmão
Trabalha, trabalha de coração.
Com muito trabalho e dedicação, concluímos Zumbi or not Zumby.
Depois de alguns ensaios abertos e antes da estréia oficial, compartilhamos e experimentamos a sala de aula. Sim… adentramos a escola estadual, afastamos as carteiras, fizemos a roda com as cadeiras e deu-se nossa arena. E foi assim que levamos Zumbi or not Zumby para o território escolar.
Trocamos experiências, conhecimento, renovamos nossa energia e nos preparamos para a estréia. Casa cheia, frio na barriga, medo de errar… mas não o suficiente para nos congelar.
Cantamos, encenamos, jogamos com o público e lá se passaram dois meses: todas as quintas de Abril e Maio.
Mas não terminou por aí.
O novo nos bateu à porta e a oportunidade era única, especial: apresentação na Fundação Casa de Franco da Rocha. Genial! Simplesmente arrepiante. Como explicar e segurar a emoção ao se falar de liberdade e da questão racial para dezenas de adolescentes que vivem reclusos e que sofrem a discriminação racial e social? Às vezes lembro desse dia e me dou conta que a ficha ainda não caiu.
Mais um mês: Junho. Temporada escolar. Recebemos com respeito e carinho os alunos do ensino supletivo da rede municipal. E para fechar com chave de ouro, abrimos as portas do Pyndorama para que Romário Borelli, participante do Teatro de Arena, pudesse entrar e ser devorado por nós. Sentamos em roda para ouvir sua história, cantamos juntos e mostramos nossa versão de Arena Conta Zumbi. Melhor impossível.
Trabalha, trabalha, trabalha irmão
Trabalha, trabalha de coração.
E o trabalho continua… noites inteiras, madrugadas ainda maiores. Dialogamos antropofagicamente com Paulo Arantes e Chico de Oliveira em mais um “Diálogos Antropofágicos”.
Discutimos a particularidade brasileira, Macunaíma e o povo brasileiro no Pindorama em Revista.
O corpo não para. Aquecemos, coreografamos, acertamos o coro. Cabeça, pescoço, peito, cintura, quadril, peso, torre. Victor de Seixas sempre de olho.
Compartilhamos com o Grupo Stouraz e nos transformamos em pipoca. Nos enroscamos e nos achamos num improviso divertido e antropofágico.
Os ensaios abertos nos mostravam quinzenalmente que ainda tinha muito por se fazer. Mas não nos deixamos abater. Noites inteiras, madrugadas ainda maiores.
Leituras dramáticas completaram o compartilhamento da pesquisa. Quem pariu a liberdade na morte do compadre? E assim trocamos experiências.
Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso vai se moldando…
Estréia.
Gritamos no prólogo: EVOÉ, Nossa Senha dos Cordões. Estamos num diálogo antropofágico, dionizíaco, com homens e mulheres que morreram há tempos. Que venham os nossos!
Descemos da nau, descobrimos a liberdade, ou melhor, a ausência dela.
Nos deparamos com a simplicidade e a ignorância do povo nos depoimentos do metrô.
Dançamos ao som do bailado indígena, massacrados pelos colonizadores.
“Não vos retireis das cadeiras horrorizados com a vossa autópsia”, diz o circo dos horrores, frente ao estupro da cultura indígena, africana…
Confrontamos a história dos livros. Questionamos o sistema de cotas como única alternativa e depois de julgados, os massacrados da história se erguem para fazer a revolução.
“Estamos aqui,
expulsos das entranhas da terra
pela cesariana da guerra.
Estamos glorificando
a ti,
dia
de insurreições.
de rebeliões,
de revoluções”.
Mas isso não é o fim. O trabalho continua, a luta continua. Por uma sociedade justa e verdadeiramente livre.
