Relatório de Atividades por Fernanda Pires – Núcleo PY
E chega o momento tão esperado. Zumbi or not Zumby.
Mas antes da estréia, ensaios abertos e muito treino.
Em março começamos nossas apresentações. Apresentar em uma escola do ensino público foi um desafio: sol, calor, chuva, barulho, questionamentos, medos, muito esforço e boa vontade. Tudo isso marcou as nossas apresentações para os alunos da sétima série e do ensino médio da escola Almirante Marques de Tamandaré.
Mas isso não nos impediu de fazer a pergunta que tanto nos inquieta: você se sente livre? O que é a liberdade? As respostas são as mais variadas, levando em consideração a peça densa e complexa que os alunos acabavam de assistir.
Em abril, entramos em cartaz com apresentações de quinta-feira até o mês de maio.
Aprendemos muito. Experiências diversas, boas, ruins, mas todas nos trouxeram o aprendizado.
Mesmo com a temporada de Zumbi or not Zumby encerrada, a relação Núcleo PY e Núcleo ATP aumentou. Encerrar a temporada, não significou o término da colaboração e aprendizado. Participar dos ensaios abertos aumentou cada vez mais a aproximação do “todo”, o que ajudou não só para o crescimento artístico, mas também pessoal.
Passei então a colaborar na bilheteria e na produção de Terror e miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso que significou maior integração ao elenco. Fazer a bilheteria de um espetáculo vai além de seu aspecto imediato e quase técnico é uma forma de experiência e colaboração. A relação público-elenco cresce muito. Ouvir comentários do público pré e pós espetáculo é fascinante.
A cada apresentação, uma nova apresentação, um novo entendimento, novos conhecimentos.
Para os que assistem ao espetáculo, ficam as indagações, para que ele tire suas próprias conclusões. O que fazer com o sistema de cotas? Quem deve entrar na universidade? Não seriam todos merecedores daquela vaga? Teriam um dia a solução daquela cena inacabada? Por que o choque com a nudez? Tiradentes não se parecia com Jesus e qualquer semelhança, também não é mera coincidência. Será mesmo que Zé Carioca morreu?
Quem são os donos do Brasil? De quem é o boi?
Incertezas não faltam.
Um julgamento final, com repressão e punição por parte dos que sempre tentam a todo custo impor suas lógicas de dominação.
Enfim está aí o paraíso perdido. Será ele um dia reencontrado? E como se dá esse encontro com esses diversos paraísos?
