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Relatório de Atividades por Flávia Ulhôa – Atriz Convidada

ciaantropofagica_154E assim seguimos nosso caminho, por estas rotas cheias de surpresas e descobertas. Topamos com Zumby. Primeiramente em Pyndorama, e tamanha era a força, que invadiu as escolas. Ah, as escolas! Os Alunos, professores e quem mais por aquele pátio estivesse, estarrecidos, curiosos, tímidos, com olhos devoradores. Ao final, aplausos e logo em seguida, o debate, um bate-papo, ali mesmo, no pátio, onde todas as curiosidades foram sendo expostas e, pouco a pouco, as mais belas e sensíveis impressões sendo reveladas.

O caminho era longo, estrada de terra, e o primeiro portão. Um muro alto, muito alto que se findava com uma espécie de caracol de arame farpado. Atravessemos o muro, mais portões. Documentos deixados, e a revista foi feita. Demos mais alguns passos, e mais portões. Ali alguns funcionários aguardavam ansiosos. Era Zumby na Fundação Casa. Passados mais portões e encontramos os meninos, curiosos, atentos e prontos para nos receber. E mais uma vez o debate foi feito. A liberdade discutida e muito bem compreendida. Junto vieram as histórias, o caderno de poesias, o livro sendo escrito, os sonhos e planos. Saímos de lá deixando muito de nós e levando muito mais.

Em Pyndorama, os trabalhos não pararam. Lá estávamos separando cabeça, pescoço, peito, cintura, quadril, segurando umbigo, abrindo escápulas e suando com os sábados corporais. Desenvolvendo um trabalho de corpo com toda a alma. E aos domingos éramos abastecidos com discussões, debates, reflexões e descontração.

Surge então o convite para uma troca com o grupo GTP (Grupo de Teatro da Poli). Eles eram muitos. Foi uma batalha incrível, com muita força, coragem, suor, debaixo de tanto sol, e no fim, um gigantesco abraço. E mais uma vez voltamos digerindo o que havíamos devorado.

Precisávamos devorar mais, então fizemos mais ensaios abertos. A partir deles, trabalhávamos e trabalhávamos. Foram dias, noites, madrugadas e mais madrugadas intermináveis. O cansaço era inevitável. Íamos dormir e no sonho estávamos lá, ensaiando e descobrindo mais.

Chico de Oliveira e Paulo Arantes chegam para mais um “Diálogos Antropofágicos”, e desta vez com as cenas do processo, para discussão. Precisávamos digerir. Digerimos e coisas novas apareceram nos ensaios.

Tivemos o compartilhamento com o grupo convidado Stouraz. Pipocas estouraram e junto algumas de nossas amarras.

Fomos mais uma vez ao metrô. O que é a liberdade? Você é livre? Encontramos as mais diferentes respostas, mas a dúvida ainda permanecia.

Pyndorama transformado num grande Ateliê. Costuras, tecidos, agulhas, fitas, lantejoulas, cola-quente, grandes idéias, muito capricho, muitas mãos e um fabuloso resultado.

Chegou, então o grande momento. Nervosismo, tensão e muito frio na barriga, a cada fim de semana. E a cada fim de semana o público toma a decisão: Quem deve ocupar a instituição? E se pergunta: o que é liberdade? Eu sou livre? Está ali, em cada cena, a barbárie exposta!

E por fim, o grito de quem não se cala!

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