Relatório de Atividades por Rafael Gracioli – Núcleo ATP
Passaram-se mais cinco meses e aconteceram muitas coisas novas, mais depoimentos do metrô, mais um “Diálogos Antropofágicos”, também teve as polêmicas Leituras Dramáticas, compartilhamento de pesquisa com o Grupo Stouraz, sem contar os trabalhos que já vinham acontecendo: Núcleo do Corpo do Ator, Estudos Literários, Núcleo de Dramaturgia e os ensaios abertos do espetáculo Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte I: Estação Paraíso e finalmente, os dois meses de temporada do espetáculo.
Mesmo com a peça em cartaz, o trabalho continua. O Núcleo do Corpo do Ator foca-se exclusivamente nas cenas coreografadas, buscando dos quatorze atores movimentos limpos e precisos e por uma unidade. Nos Estudos Literários, discute-se o que a cena pronta quer dizer. O Núcleo de Dramaturgia traz resultados no texto que é uma criação coletiva.
Houve mais “Diálogos Antropofágicos” com Paulo Arantes e Chico de Oliveira, onde mostramos cenas da peça e em cima delas, discutimos o que seria passado e o que faltava no ponto de vista social. Muita coisa foi dita, muita coisa entendida outras nem tanto. Pergunto-me será que realmente todos que assistirem “Estação Paraíso” sabem do que estamos falando? Será que as pessoas realmente conhecem a história do país?
Estas perguntas ficaram na minha cabeça com o que eles falaram e o que vi nos depoimentos no metrô, realizados nas estações Barra Funda e Liberdade. Muitas das pessoas abordadas não sabiam quem são algumas personalidades históricas como Pedro Álvarez Cabral, Tiradentes ou Zumbi. E na pergunta “Mas afinal o que é a liberdade?” percebo que a liberdade é conceituada de maneira diferente pelos entrevistados, alguns se acham livres outros não…
Houve também o compartilhamento de pesquisa com o Grupo Stouraz. Foi muito importante saber o eles pensam e quais são os pontos em comum com o nosso trabalho.
A maior novidade e talvez mais polêmica, foram as Leituras Dramáticas dos textos A morte do compadre e o Quem pariu a liberdade ou um experimento sartriano e os Grumetes. Acredito que isto tenha sido o maior compartilhamento de pesquisa, pois em A morte do compadre, o texto é da Trupe Pau a Pique e foi dirigido pela diretora do Grupo Stouraz, com atores da Cia. Antropofágica e do Grupo Stouraz. Em Quem pariu a liberdade ou um experimento sartriano, o texto é do Grupo Stouraz e foi dirigido pela Trupe Pau a Pique, com atores da Trupe e da Cia. Antropofágica. Em os Grumetes, o texto é de Franz Keppler, dramaturgo convidado, com atores convidados e atores da Cia. Antropofágica, dirigido por Thiago Reis Vasconcelos. Sem dúvida, o resultado dessas leituras resultaram grandes provocações.
Um dos pontos mais importantes foram os ensaios abertos, que foram de fundamental importância para o trabalho, afinal, sendo uma criação coletiva, precisamos saber das pessoas que não estão envolvidas no projeto se estamos sendo claros no que estamos passando. Por isso, fizemos inúmeros ensaios abertos de “Estação Paraíso”.
Na reta final, trabalhamos um mês e meio com ensaios específicos para o espetáculo todos os dias da semana.
Depois de tanto trabalho, finalmente a estréia em 24 de Julho do espetáculo Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso, com o propósito de ficar dois meses em cartaz de sexta à domingo, a preços populares.
Nosso objetivo: formar público para o teatro. Creio que este objetivo foi alcançado pelo número de pessoas que assistiram, desde alunos do ensino médio até pessoas de “notório saber”.
Com isso chegamos ao final deste etapa do projeto atingindo todos os nossos objetivos. Isso sem dizer no que aprendemos ao longo deste tempo antropofagizando diversas pessoas e novos temas, sempre buscando desconstruir o passado para renovar o futuro em uma nova maneira de se fazer teatro e fazer com que o público tenha acesso a cultura.
