Relatório de Atividades por Renata Adrianna – Núcleo PY
O espetáculo começa:
Silêncio.
Uma pequena luz indica ao público um lugar para sentar-se, vai surgindo um azul para avisar a todos, quem somos, mas este pára, escuta-se apenas um canto: Evoé.
A dança aquece Nossos corpos. Nossa Senhora dos Cordões.
Chegamos e chegamos para dizer que somos personagens perdidos num teatro.
Estamos agora De cara com o público…
… de cara com a Polícia…
… de cara com Ministro…
… de cara com nós mesmos…
… de cara com nossas utopias…
… dê cara para bater…
Resistimos. Resistimos. Resistimos.
É preciso repetir para si
Resistir, Repetir, Resistir, Resistir, Resistir, Repetir, Resistir…
… Para seguir, avançar.
Seguimos fazendo o carnaval.
Meu corpo pulsa.
Meu corpo diz tudo que minha voz, já não consegue dizer.
Simplesmente por não saber. Não conhecer.
Poesia para traduzir emoções. Mais uma vez aqui escrevendo teu nome…
… Oh! Liberdade – nasci para te chamar, para te conhecer e escrever teu nome.
Surgimos na história através de um estupro, para não calar: um grito. A escuridão domina junto com ela a opressão, lanterna para cegar ainda mais nossos olhos. E na explosão do âmbar: o espetáculo apenas começou.
Aqui não é a Índia, mas acharam as índias de belos corpos nus.
E Maria Aparecida só queria uma boneca bonita.
E no desfile de finos trajes: O espelho vem refletir nossa história.
Pierrô chora pelo amor da Colombina, degredados se tornam fidalgos, Carlota Joaquina não faz questão de seus sapatos.
Os bandeirantes, a igreja, a corte, os degredados todos querem o boi com chifre e tudo. Suspeito não?
E no vai e vem, vemos brincar conosco aquilo que estava nas sombras do mexe a cadeira, agora projetado no nosso umbigo o que é a indústria cultural e outras mazelas.
Casaco, cachecol, vestido e um Contra-luz todo azul. Um sinal de reverência ao poder. Começou a greve neste momento não há mais “privilégios” na instituição, só cabe a nós decidirmos como será a educação. Porém ainda não está Vermelho.
Um foco de luz delimita o espaço. Um livro apenas delimita a história. Joaquim Silvério dos Reis volta para contar, é preciso de muito cuidado.
O mundo lá fora aparece preso na luz do projetor “Praça da Sé”, os atores surgem como se saltassem da imagem projetada formando quadros do que muitas vezes tem passado despercebido por nós, a miséria que já se tornou comum. E os búzios que nunca mentem.
As cores de Carmem Miranda, o samba, o futebol. E muitos heróis criados por nós e para nós. Esquece-se, então passamos a vida a carregá-los, e ressurgi-los mesmo quando morrem.
E a escuridão sempre presente, desta vez com ruídos. O tribunal. São condenados todos aqueles que ameaçam o sistema e todos aqueles que não servem mais para ele. A nuvem de fumaça surge junto com ela o vermelho mais sublime. A noiva da revolução.
“Nós não queremos viver, nem acima nem abaixo”. É hora de sairmos das nossas falsas casas, com suas falsas luzes, cantar a verdadeira música, cravar a espada na nossa terra, apagar a última vela para acender todas as luzes.
