Relatório de Atividades por Ruth Melchior – Núcleo ATP
“Ser radical é agarrar as coisas pela raiz, e a raiz para o homem é o próprio homem.” Karl Marx
Essa busca de agarrar a própria raiz me deu a total liberdade de encontrar um meio de luta pelo meu povo, pela minha história perdida em livros didáticos que escondem a verdade e mostram apenas a história burguesa de uma raiz que não me pertence.
Encontrando uma forma dentro da nossa dramaturgia antropofágica pude expressar na finalização nesses nove meses de pesquisa e vivência intensa aquilo que me motiva todos os dias que não é apenas o fazer teatral e sim a militânciantropofágicateatral.
Revisitando Macunaíma a luta de um povo brasileiro que hoje tímido e massacrado pelo capital só me motiva cada vez mais a continuar as nossas discussões no Pindorama em Revista que muitas vezes sem finalizar o assunto permanece latente no pensamento e no corpo.
A experiência de dividir o território antropofágico é acrescentar mais uma família que estoura e pula na relação e na vivência-ação do pensar ator/público.
Entre leituras dramáticas e estudos literários trocamos um com o outro, letras e folhas por palavras e expressões, idéias e formas se misturam na dramaturgialiteráriantropofagica.
Índio: O que é isso?
Homem Branco: Oca!
Índio: Oca anda… vai, vai, vai começar a brincadeira.
Fomos brincar com o Grupo Teatral da Poli em meio ao ar livre e floresta imaginária. Surge o ritual da troca e a magia da energia vivida naquele momento único.
Ao mostrar a cozinha através dos ensaios abertos podemos cozinhar melhor o banquete que ainda não tínhamos servido.
Surge em nossas mãos tecidos, agulhas e fitas bordadas pela simples experiência de moldar com o véu a personagem criada e vivenciada. Em cada botão é colocado um pedaço do que foi construído nesses meses com a família antropofágica.
O banquete foi servido e tem sido devorado pelo homem da terra pindorama.
Gaivota: Ninguém é dono da terra. A terra é um bem comum!
