Relatório de Atividades por Thiago Calixto – Núcleo PY
No prosseguimento das impressões-respostas da mudança ambiental proporcionada ao indivíduo e ao coletivo teatral pelo decorrer do projeto, em que sujeito-objeto cresce, diminui, movimenta assim como ao redor se transforma na dialética entre o sofrimento do parto e a felicidade do ato que não é possível mensurar.
Desde o último relatório, as descrições do convite ATP ao eu sujeito ator, muita coisa mudou entre o passado e o crescente presente, dos feitos e atividades que desafiam humanos no coletivo a lidar com a demo-ácracia na luta paradoxal da via negativa contra a mais valia, e o constante exercício tolerante entendendo a função resultante do trabalho ao espec-ator e do espec-ator ao ator vindo a surgir a consciente dor e do sangue a ser estancado após o fator constatado do espancado.
Maravilhosas atividades foram realizadas com grupos parceiros que muito contribuíram para esse trabalho árduo e verdadeiramente coletivo, desde o preparador camarada Victor de Seixas, dos companheiros músicos até um dia intenso com o Grupo Stouraz, além de amigos e profissionais que assistiram os ensaios abertos e nos brindaram com possibilidades infindáveis.
Na última vez havia dito em meu relatório, sobre as impressões e desenvolvimento assim que passei a fazer parte do processo desse projeto, que havia sido ótimo em todos os sentidos, disse também sobre conceitos e tantas outras experiências que tive de rever, e isso sem sombra de dúvidas continua com a mesma intensidade. Foi difícil entrar no processo em andamento com uma Cia. que tem um ritmo frenético e vertiginoso de ensaios e que já tem uma forte estética consciente e inconsciente, o coletivo já tinha, digamos assim, um “entrosamento” extraordinário, em que os atores pelo olhar comunicavam-se e construíam ou destruíam. E entrar nesse processo dessa forma me fez treinar imensamente o potencial artístico, que só foi e continua sendo desenvolvido devido a grande generosidade de todos da Cia. e a todos que de uma forma direta, indireta, com maior ou menor participação contribuiu para o projeto.
A montagem da peça Zumbi or not Zumby que fez parte do processo, considerando não apenas o crescimento do Núcleo PY, mas o próprio alimento da Cia. de uma forma geral, já que atores desse núcleo fazem parte da montagem de Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso, e que outros ajudam nos dias de apresentação.
Ao todo nove meses de uma prazerosa e dolorosa luta, em que passávamos dias seguidos ensaiando, passando muitas vezes 12 horas de ensaio, e tantas outras em que chegávamos no Pyndorama sexta-feira à tarde e só saíamos domingo à noite. A interação entre os núcleos foram essenciais para orgânico desenvolver do processo, esse que com certeza não terminou com a estréia e não terminará com a temporada. Essas interações fundamentais foram alimentos antropofágicos recíprocos entre os núcleos: ATP, PY, Pindorama em Revista e Atores convidados, os ciclos de dramaturgia, leituras dramáticas e os treinamentos dos atores.
