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Espaço Pyndorama

O Espaço Pyndorama tem duas fases distintas: a primeira que aconteceu no ano de 2004 e a segunda que começou em outubro de 2007.

Durante o ano de 2004 a Antropofágica abriu sua primeira sede, Espaço Pindorama (com i), localizada na Rua Barra Funda, 555, e foi administrada com os recursos de seus próprios integrantes. Foi uma época de profundo aprendizado e estruturação do grupo, onde questões administrativas, de convivência e cuidado do espaço levaram a um amadurecimento frente a problemas de produção, organização e trabalho coletivo.

A pesquisa e a criação também foram ampliadas desde o começo, graças à estabilidade garantida pela estrutura de tempo, espaço e materiais, o que facilitava nossas investigações. No entanto, talvez o fator mais importante, tenha sido – e ainda é – a convivência entre integrantes e colaboradores do grupo que, em momentos pontuais, extrapolava o trabalho interno e se transformava num grande encontro com o público e a comunidade (principalmente os moradores da redondeza).

Assim, o espaço funcionava como um forte elemento de integração, onde ultrapassávamos o limite do grupo e chegávamos a uma organização comunitária: as relações entre núcleo, alunos e colaboradores formavam uma estrutura, a nossa tribo.

Entre 2005 e 2007, a Antropofágica realizou seus trabalhos no Tendal da Lapa e no Parque da Água Branca.

Em outubro de 2007, a Antropofágica encontrou outro espaço. O local precisava de adaptações para funcionar como um espaço de apresentações de espetáculos, concerto e outras atividades de cultura. Além da construção de dois banheiros e contra-piso para a sala 2, foram feitas diversas reformas: cortinas, corrimãos, varas de iluminação, parte elétrica, construção de balcão para o bar e aplicação de manta asfáltica no telhado para isolamento acústico e térmico.

Em 10 de novembro de 2007, a sede foi inaugurada com uma festa. Em 17 de novembro reestreiou o espetáculo da Antropofágica Os Náufragos da Rua Constança.

Desde então, o Pyndorama tem sido um espaço muito prolífico, com eventos culturais acontecendo praticamente todos os dias. Muito além de sede da Antropofágica, o Espaço é ocupado por outros grupos de teatro, bem como para eventos musicais diversos, tanto populares quanto eruditos.

O Pyndorama tem sido utilizado como espaço de ensaio para grupos como Le plat du Jour, Patuá, A Fornalha, Grupo de Teatro da Poli, Mini Cia, Casa Laboratório, entre outros. É também local de apresentação de alguns destes grupos que têm ocupado o espaço, como Só por Hoje, do A Fornalha; Jardim dos Duendes e Ensaio para o Inverno, do Nosso Grupo de Teatro; Melhor não incomodá-la, da Mini Cia; E o pássaro se confundiu com o vento, do grupo Patuá, entre outros. Tem sido realizados ainda eventos musicais como Ciclo de Concertos de música erudita, Rodas de Samba e concertos de Jazz. É também espaço para encontros de formação como o Colóquio de Corpo que aconteceu duas vezes reunindo pesquisadores da área como Renato Ferracini, Luis Louis, Lenira Rengel, João Andreazzi, Inês Aranha e Oficina de Mímica com Victor de Seixas.

Além de um espaço para eventos estritamente culturais, o Pyndorama também tem abrigado reuniões de movimentos sociais como 27 de Março, Comitê de Defesa da Arte e do Movimento de Fábricas Ocupadas (Flaskô), Comitê de Cultura do Movimento Palestina Livre e Roda de Fomento.

Estrutura do Espaço

O Pyndorama tem dois andares. O primeiro, com dois banheiros, uma cozinha-bar, um espaço de convivência e uma sala (2) para ensaios e apresentações. O segundo andar, com a sala (1) de apresentações provida de arquibancadas e capacidade para 80 pessoas (público), que já conta com o equipamento de luz e som, um camarim e dois banheiros.

Nosso modo de organização

O Pyndorama é estruturado segundo o padrão de organização de rede distribuída. É um padrão em que há abundância de caminhos, ou seja, qualquer membro tem plena participação e pode interagir livremente com qualquer outro membro – diferente dos modelos hierárquicos em que o capitão não pode se dirigir ao coronel, sem primeiro passar pelo major. A uma estrutura distribuída corresponde um metabolismo democrático: o grau de distribuição acompanha o grau de democratização.

A fruição dinâmica e em constante movimento com que as decisões são tomadas, sem burocracias, e o caráter de auto-gestão com que os núcleos específicos de trabalho e mutirões são formados são as maiores características da distribuição em rede da nossa estrutura organizacional.

Residência de Núcleos Convidados

Durante os oito anos da Antropofágica, sempre foi um grande problema encontrar lugares para apresentações, ensaios e para guardar os materiais do grupo. Nos últimos três anos nós pudemos usufruir do nosso próprio espaço e isso nos fez avançar em muitos aspectos, tanto artísticos e técnicos como na nossa relação com a cidade.

Apesar de sabermos que a cidade de São Paulo é uma das que mais dispõem de espaços e ferramentas para a realização de ações culturais, temos sido procurados por diversos grupos que têm dificuldade em encontrar lugares adequados para um trabalho de continuidade. Isso expõe um caráter duplo: de um lado, a primavera e a profusão de grupos que estão nascendo e se desenvolvendo na cidade; de outro, a carência de muitos grupos que não podem desenvolver plenamente seu trabalho por causa da falta de espaços que possam abrigá-los.

Por isso, desde o início, é uma prática da Antropofágica compartilhar este espaço com outros grupos e artistas, sendo que no projeto passado quatro grupos residiram no espaço: Angatú, Patuá, NGT e Trupe Pau a Pique. Temos a alegria de perceber como esta residência contribuiu para o crescimento destes grupos. Por exemplo, o Grupo NGT agora tem seu próprio espaço e o grupo Angatú está residindo este ano na Oficina Oswald de Andrade.

Neste projeto, a Antropofágica propõe a residência no Pyndorama a outros quatro grupos, que serão escolhidos ainda no início do projeto, quando haverá a divulgação desta ação. Essa idéia de residência propõe a democratização do Espaço que traz benefícios não só para os grupos, que durante sua permanência poderão desenvolver seus trabalhos com mais tranqüilidade e dignidade, como também para todos os demais envolvidos, nas interações e compartilhamentos de pesquisa que ocorrem graças a esta ação.

Encontros de Reflexão

Os encontros acontecem entre os núcleos orgânicos e os núcleos convidados para que possam organizar as ações compartilhadas, fazer um balanço delas, demonstrar fases da pesquisa, ler registros e transmitir uma rotina de análise crítica do próprio trabalho e dos outros núcleos.

3 Comentários Envie um comentário
  1. Beto Vasconcelos
    7/08/2010

    Perfeito!!!!!

  2. ADRIANA CRISTINA DE MEDEIROS
    21/04/2011

    ACABAMOS (EU E MINHAS CRIAS) DE VER DA NOSSA CASA O QUE ACREDITO SER UMA INTERVENÇÃO ARTÍSTICA DO GRUPO EM PLENA RADIAL LESTE, NA ALTURA DO METRÔ PATRIARCA. UM POUCO DISTANTE, PORÉM COM O BINÓCULO EM MÃOS, VI NUMA CARROÇA, ESCRITO ‘CIA. ANTROPOFÁGICA”, COM O DESENHO DESSE BONEQUINHO E LOGO VIM PRA INTERNET PESQUISAR. É A TECNOLOGIA A SERVIÇO DA CULTURA!

    AMAMOS! PRINCIPALMENTE POR TER SIDO TÃO INUSITADO. DEMOS TCHAU, ABANAMOS COM A TOALHA E APLAUDIMOS.

    GOSTARIA, SE POSSÍVEL E POR GENTILEZA, RECEBER E-MAILS COM PROGRAMAÇÃO DE EVENTOS.

    MUITO OBRIGADA!

  3. 2/09/2011

    Gostaria de saber se ainda há a peça Zumbí or not Zumby.
    Sou assistente social de um programa de música para crianças e adolescentes. No mês de novembro trabalharemos a questão do negro no Brasil de forma integrativa, norteadora e lúdica.

    Agradeço desde já a atenção,

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