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	<title>pyndorama.com &#187; nelson rodrigues</title>
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	<description>Site da Cia. Antropofágica e do Espaço Cultural Pyndorama</description>
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		<title>E o Pássaro se Confundiu com o Vento</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 12:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Espetáculos]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Rogério Toscano]]></category>
		<category><![CDATA[grupo Patuá]]></category>
		<category><![CDATA[nelson rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[surrealismo]]></category>

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		<description><![CDATA[E o Pássaro se Confundiu]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pyndorama.com/wp-content/uploads/2008/11/patua2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-118" title="patua2" src="http://pyndorama.com/wp-content/uploads/2008/11/patua2-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><a href="http://br.youtube.com/watch?v=PofCdIuUXAU">E o Pássaro se Confundiu com o Vento</a> tem como material propulsor para o processo de criação a peça de René Obaldia “O Defunto” e o movimento de vanguarda nomeado Surrealismo.</p>
<p>A partir de referências pictóricas, textuais e plásticas dessa manifestação artística a cena vai se delineando sob a forma de um grande sonho, respeitando a lógica própria que implica a esse elemento.</p>
<p><span id="more-116"></span></p>
<p>Deslocamentos, condensações, um inconsciente que quer irromper com toda sua força e animosidade em contraponto com a censura do plano da consciência aparecem ora de maneira sutil, ora mais explícita, mas sempre dando suporte a um tema principal: o ser em busca de si mesmo.</p>
<p>E é nesse contexto em que Júlia inicia sua trajetória em busca de semelhantes. Entretanto, depara-se com suas próprias facetas em conflito, recusando esses diversos fragmentos de seu ser que lhe são apresentados. Victor, que também se revela uma projeção de Júlia, é o outro por quem a heroína procura, quando ainda desconhece o verdadeiro objeto de sua busca.</p>
<p>Através de um paralelo com a fábula da Branca de Neve que, como os contos de fada, lida de forma imaginativa com as passagens mais importantes do desenvolvimento de nossas vidas, a busca pelo encontro consigo mesma insere- se em um universo feminino. As cores vermelha e branca dão suporte aos códigos da cena tal como o espelhamento recorrente tanto na peça quanto no conto. Assim, o espectador é envolvido em imagens organizadas em uma lógica não linear, em que as dissonâncias, simultaneidades, repetições são mecanismos utilizados para uma apreensão do espetáculo a partir das sensações.</p>
<p>Os desdobramentos de uma personagem multifacetada conduzem a encenação para um percurso recheado de perdas, descobertas, (des)ilusões, buscas, rejeições, tentativas, em que, ao final, só resta a personagem, frente a frente, consigo mesma, tendo de encarar seus medos, seus monstros, seus traumas. Nua, simplesmente. Ao final, só restam as atrizes consigo mesmas, o espectador consigo mesmo, nessa teia de relações desordenadas e caóticas, mas precisamente compostas, em um encontro altamente desejado, entretanto, temido.</p>
<p><em>E o pássaro se confundiu com o vento&#8230;</em></p>
<p>Bem me lembro que sonhava<br />
Um sonho que se desdobrava<br />
Retirava minhas próprias peles<br />
As camadas de mim mesma.<br />
A superfície morta saía facilmente<br />
Mas o encontro com as profundezas do meu ser<br />
Exigia sacrifício e coragem.<br />
Inspirei fundo. Eis que se iniciava minha jornada.<br />
A pele já não era o suficiente<br />
Com as veias expostas, o sangue ardente<br />
Num grito de dor e de temor,<br />
O próximo passo eram os ossos.<br />
Mergulhei fundo no meu poço<br />
Lama. Talvez a água não seja tão potável<br />
Pois toda luz produz sombra em igual proporção.<br />
Embebedei-me de mim mesma<br />
O melhor porre, o mais intenso gozo,<br />
A alegria sórdida de me permitir ser.<br />
Abria portas. E cada porta dava em outra porta<br />
E incansavelmente, em outra, em outra, e outra<br />
E eu, quase morta,<br />
Não enxergava o fim desse trajeto<br />
Quando julgava ser o fim, ainda havia mais uma porta a ser aberta.<br />
Já não estava mais certa para onde tudo me levaria<br />
Mas um caminho sem volta me conduzia<br />
Um tempo que, ao mesmo tempo, era passado, presente, futuro<br />
Onde tudo poderia ser e não ser<br />
Onde no sonho o nada cabia<br />
O infinito se encaixava perfeitamente<br />
A suspensão era o instante.<br />
As maçãs completavam meu banquete<br />
A cada mordida, a descoberta: um pedaço jamais será igual ao outro.<br />
E então me deparei com vários pedaços de mim.<br />
A hora final aproximava-se.<br />
As rosas sabem se defender.<br />
Com um espinho falicamente mortal,<br />
A dócil e perfumada flor<br />
Decidiu despetalar-se<br />
Num mal- me- quer recorrente.<br />
Desnuda, desarmou-se<br />
Entregou-se, a mercê do mundo<br />
Já não tinha medo, nem segredo<br />
Um processo pelo qual quem passa nunca é o mesmo.<br />
Morri para nascer novamente.<br />
E uma nova forma de mim tomou conta<br />
Se já não sou mais quem eu era há segundos.<br />
Nascem mais peles, cicatrizam as feridas.<br />
Olho-me no espelho:<br />
Espelho, espelho meu, existe alguém mais&#8230; mais&#8230; eu?<br />
O pássaro voou para bem alto<br />
Acompanhando o vento.<br />
O pássaro se confundiu com o vento.<br />
Talvez eu pássaro, o outro vento<br />
E eu no outro, o outro em mim,<br />
sendo o primeiro não tão estranho assim.<br />
As fronteiras tornam-se permeáveis<br />
Cada qual respira o mesmo ar, numa troca fluida.<br />
Integração.<br />
Bem me lembro que sonhava&#8230;<br />
Comigo mesma<br />
Com vários “eus” fragmentados como num quebra-cabeça<br />
Devia haver algum encaixe numa lógica inconsciente<br />
Que eu já não podia compreender.<br />
Bem me lembro que sonhava&#8230;<br />
E cada porta pela qual passava, deixava aberta.<br />
O pássaro, enquanto voava, deparou-se com mais uma porta.<br />
E a jornada recomeça.</p>
<p><em>Juliana Medeiros</em></p>
<p>O Grupo Patuá</p>
<p>O grupo nasceu no primeiro semestre de 2008 a partir da parceria de oito formandas do Curso de Comunicação das Artes do Corpo, na PUC-SP, com o objetivo de realizarem seu primeiro espetáculo teatral, o que equivaleria ao trabalho de Conclusão de Curso, ao final deste mesmo ano.</p>
<p>Assim, iniciou-se o processo para a construção do espetáculo “E o Pássaro se Confundiu com o Vento&#8230;” sob orientação e direção de Antônio Rogério Toscano. Para tanto, foi necessária a busca de um espaço específico onde as atrizes pudessem construir o cenário e ensaiarem permanentemente, uma vez que a criação era totalmente dependente dos estímulos que o cenário poderia lhes proporcionar.</p>
<p>Deste modo, o grupo encontrou no Espaço Pyndorama um ambiente propício para que o processo pudesse se desenvolver. Entramos no projeto de ocupação de espaço “Liberdade em Pyndorama” elaborado pela Cia. Antropofágica. O espetáculo ficará em temporada nas três primeiras semanas de dezembro e sendo já cogitada uma reestréia em 2009.</p>
<p>Ficha Técnica:</p>
<p>Elenco: Betânia Binotto, Bruna Panegassi, Elisangela Pontes, Juliana Medeiros, Lu Bueno, Micaela Altamirano, Mônica Soto, Rita Shukla.</p>
<p>Ator convidado: João Pedro.</p>
<p>Direção e coordenação geral: Antônio Rogério Toscano.</p>
<p>Orientação de ator: Danielle Salibian.</p>
<p>Cenografia: Osmar Orlando de Oliveira, Grupo Patuá e Antônio Rogério Toscano.<br />
Dramaturgia e figurinos: Grupo Patuá e Antônio Rogério Toscano.</p>
<p>Composição e concepção musical: Walter Garcia, Grupo Patuá e Antônio Rogério Toscano.</p>
<p>Concepção de Luz: Wagner Antônio e Antônio Rogério Toscano.</p>
<p>Operação de Luz: Grupo Patuá.</p>
<p>Contra-regragem: João Pedro.</p>
<p>Prepação Vocal: Walter Garcia.<br />
Preparação Corporal: Neide Neves.</p>
<p>Orientação de Cena: Miriam Rinaldi e Francisco Medeiros.</p>
<p>Professores Colaboradores: José Rubens Siqueira, Naira Ciotti, Donasci.</p>
<p>Produção: Grupo Patuá.</p>
<p>Recomendação etária: 14 anos</p>
<p>Textos:</p>
<p>Fernando Pessoa (Eros e Psique), Florbela Espanca (A Doida), Isidore Ducasse (Cantos de Maldoror), Nelson Rodrigues (Álbum de Família e Vestido de Noiva), René de Obaldia (O Defunto), C.G. Jung, Chuang-Tzu, Antônio Rogério Toscano, Juliana Medeiros.</p>
<p>Citações: Nelson Rodrigues (Dorotéia, Valsa nº6).</p>
<p>Referências: Alberto Giacometti, André Breton, C.G. Jung, Giogio de Chirico, Juan Miró, Marx Ernest, M. C. Escher, Paul Eluárd, René Magritte, Salvador Dalí, Sigmund Freud, Walter Benjamin, Maurice Nadeau (História do Surrealismo), Bruno Bettelheim (A Psicanálise dos Contos de Fadas).</p>
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		<title>Voz de Brecht ecoa em montagem de A Serpente, de Nelson Rodrigues</title>
		<link>http://pyndorama.com/2008/11/voz-de-brecht-ecoa-em-montagem-de-a-serpente-de-nelson-rodrigues/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 15:57:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Alves Jr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espetáculos]]></category>
		<category><![CDATA[ATP]]></category>
		<category><![CDATA[nelson rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[oswald de andrade]]></category>
		<category><![CDATA[thiago reis vasconcelos]]></category>

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		<description><![CDATA[Com direção de Thiago Reis]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pyndorama.com/wp-content/uploads/2008/11/serpente008.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-21" title="serpente008" src="http://pyndorama.com/wp-content/uploads/2008/11/serpente008-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a>Com direção de Thiago Reis Vasconcelos, peça da Cia. Antropofágica estréia dia 27 e celebra os 30 anos do texto.</p>
<p>Recorrente em suas montagens desde O Vestido de Noiva, o tema de duas irmãs disputando o amor do mesmo homem se repete no último texto escrito por ele. É a primeira vez, no entanto, que essa rivalidade é explorada em toda potencialidade, tornando-se o cerne da peça, seu fio condutor. Essa obsessão de Nelson, a obsessão com o sexo, a obsessão com a morte – está tudo ali.</p>
<p><span id="more-20"></span></p>
<p>Em um mesmo apartamento presenteado pelo pai, duas irmãs vivem com seus maridos em quartos contíguos. Tendo celebrado seu casamento no mesmo dia em que a irmã, Lígia vê sua relação se desfazer logo na primeira cena da peça, com Décio, seu marido, indo embora de casa sem nunca ter sido capaz de consumar o casamento. Virgem após um ano de casada, abandonada pelo marido, ela entra em desespero e ameaça se jogar pela janela. É Guida, a irmã, quem evita o salto oferecendo à Lígia uma noite com seu marido, Paulo.</p>
<p>Se por “supremo sacrifício, generosidade, homossexualismo por procuração, desejo de provar-se superior ou apaziguamento de culpas antigas” – nas palavras do crítico Sábato Magaldi, isso não é explicitado pelo autor. O fato é que toda a ação se desencadeia após essa noite, desembocando no final trágico que justifica sua inserção entre as chamadas “tragédias cariocas” de Nelson. Sendo a última delas, porém, é natural que as dimensões míticas e psicológicas de todo o universo de sua obra também estejam refletidas ali.</p>
<p>A opção pela linguagem não-realista da peça partiu da proposta de concisão de Nelson e da idéia de síntese desenvolvida pelo modernista Oswald de Andrade – que é o núcleo da pesquisa desenvolvida pela Cia. Antropofágica. A quebra da ilusão que norteia o trabalho do dramaturgo alemão Bertolt Brecht é também o norte dessa montagem, que já traz essa quebra no próprio texto, na forma de monólogos que refletem o pensamento do personagem – recurso usado por Nelson unicamente nessa peça. “A quebra de ilusão tem a função de criar um distanciamento crítico”, explica o diretor Thiago Reis Vasconcelos, “e de todas as peças de Nelson essa é a que melhor cabe nessa proposta”.</p>
<p>Remetendo aos roteiros de cinema, riscos no chão delimitam os cômodos do apartamento – ao estilo de Dogville, filme de Lars Von Trier. Colaborando para explicitar que aquilo a se desenrolar no palco é criação, e não realidade, bonecos são usados como extensão dos atores e o próprio Nelson Rodrigues aparece em cena, ora circulando entre os personagens que sua imaginação manipula, ora sentado à escrivaninha batendo à máquina de escrever.</p>
<h4>Entrada: R$ 20,00<br />
Temporada de 27 de setembro a 30 de novembro<br />
Sábados às 20h e domingos às 19h</h4>
<p><strong>Serviço:</strong><br />
A Serpente<br />
Duração: 50 minutos<br />
Recomendação: 14 anos<br />
Gênero: Tragédia Carioca<br />
Temporada de 27 de setembro a 30 de novembro<br />
Sábados às 20h e domingos às 19h<br />
Ingressos: R$ 20, aceita cheque<br />
Meia entrada para idosos, estudantes e classe teatral<br />
Capacidade: 60 lugares<br />
Espaço Cultural Pyndorama<br />
Endereço: Rua Turiaçu, 481<br />
Tel. (11) 3871-0373<br />
Não aceita reserva<br />
Bilheteria abre duas horas antes do espetáculo<br />
Estacionamento conveniado no local</p>
<p><strong>Ficha técnica:</strong><br />
A SERPENTE, de Nelson Rodrigues<br />
Direção – Thiago Reis Vasconcelos<br />
Assistente de Direção – Renata Adrianna<br />
Direção Musical &#8211; Thiago Reis Vasconcelos<br />
Trilha Sonora &#8211; Vinicius Cruz<br />
Produção – Bia Kobal e Vivi Terci<br />
Cenografia – Thiago Reis Vasconcelos<br />
Figurinos &#8211; Alfredo Jorge Corrêa de Sá<br />
Iluminação &#8211; Renata Adrianna<br />
Assessoria de Imprensa: Boca de Cena Comunicação<br />
Elenco: Bia Kobal (Guida), Danilo Santos (Décio), Ruth Melchior (A Crioula e Nelson Rodrigues), Vinicius Cruz (O Analista e Paulo) e Vivi Terci (Lígia)<br />
Realização – Cia. Antropofágica</p>
<h4><a href="http://bocadecenacomunicacao.com.br/serpente/index.html">Mais informações: Boca de Cena Comunicação</a></h4>
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