Somos todos palestinos aqui em Pyndorama – por Mei Hua
Poema palestino. Na Faixa de Gaza, em menos de quinze dias, 257 crianças morrem.
A dor que não cabe na fala, na vala, no peito de mãe.*
Pela pouca humanidade que nos resta, povos de todo mundo, uni-vos. Somos todos palestinos na agonia dos destroços. Palestinos de todo mundo, uni-vos. Contra o terrorismo histórico do dominante sobre o dominado. Terrorismo legitimado, que autoriza o massacre de crianças e populações inteiras sob o pretexto de conter o inimigo. Que inimigo é esse? As famílias? As escolas? A universidade? As crianças? Uma terra prometida a muitos, lendária, onde o sangue ferve, inflama, retumba, escoa misturando-se ao ouro negro, tingindo de ódio a mente e a alma, reverberando por gerações e gerações. Ódio entranhado. Se a vida é murada, se o povo é massacrado, se a família foi dizimada, quem não revidaria? Somos todos palestinos. No front, lavagem cerebral. E os dirigentes das superpotências? E a ONU? E o raio que o parta? O mineiro só é solidário no câncer, os dirigentes nem isso. Co-var-des. O boicote que deveria ser geral mediante tamanho neo-holocausto é pontual, isolado, revelando a face aterrorizante do imperialismo, da conivência, da omissão de quem poderia e deveria impedir tantas atrocidades. Descrença. Desgraça. Desgraçados. E por falar em holocausto, quanta ironia. Os homens se corrompem. Nazismo, sionismo, sinônimos. A dor que não cabe na fala, na vala, no peito de mãe. Somos todos palestinos. Nas favelas, nas periferias, onde se mata e se morre mais que em guerras civis, a violência está arraigada na origem da dominação e da exploração, matando p-a-u-l-a-t-i-n-a-m-e-n-t-e. Nada é feito. Negros, índios, latino-americanos. Vítimas. Somos todos palestinos. Somos todos palestinos. Somos todos palestinos. Que Alá nos ajude.

